Criação de Enredo: Método do Floco de Neve

By Luísa Scheid - quinta-feira, setembro 06, 2018



Tive contato com o método do Floco de Neve depois de muita pesquisa sobre como criar enredo. Antes de explicar como funciona, quero deixar claro que se trata de um método (não criado por mim), ou seja, uma forma de alcançar o objetivo livro (ou enredo, como preferir). Tal como qualquer outro método, há quem goste e há quem não se dê bem com ele, mas vale a pena o teste!


Autor: Desconhecido

Para entender o método, dê uma olhada na imagem acima. A primeira forma (à esquerda) é mais simples que a última (à direita). As duas formas intermediárias são uma evolução da primeira forma até chegar na última.

A imagem é uma reprodução gráfica do Método do Floco de Neve, criado por Randy Ingermanson. Inicia-se com um rascunho, adicionando-se detalhes de maneira gradual, tornando-o aos poucos tão complexo quanto um floco de neve. Dito isso, agora é a hora de entender como esse método funciona.


Antes de tudo
Pegue uma folha e anote todos os elementos que vão aparecer na sua história. Não tenha medo da bagunça (sim, ficará uma grande bagunça). A ideia é fazer um brainstorm e anotar tudo: temas, objetos, personagens e até cenários. Contudo, não perca muito tempo com detalhamentos. Apenas coloque ideias e limite-se a uma única folha. Mantenha essa folha por perto durante todos os próximos passos.


01)
Resuma seu romance em uma única frase. Seja simples e conciso. Deve ser algo como “O príncipe não-herdeiro deseja tomar o trono de seu irmão”.
Não nomeie personagens. Não se estenda em conflitos. Tenha em mente que, nesse momento, menos é mais. Procure palavras certeiras para demonstrar sobre o que é a trama, isso vai facilitar seu processo.


02)
Reescreva sua frase em um parágrafo, descrevendo a sequência da história: (i) lugar comum, (ii) catástrofe e (iii) fim.
Sugestão: na parte da catástrofe (que não necessariamente precisa ser uma catástrofe) pense em mais de um evento importante para ligar o lugar comum ao fim.

O parágrafo ideal deve ter cerca de cinco frases:
1. Apresente o pano de fundo e o cenário inicial.
2. Escreva uma frase para cada uma de suas catástrofes ou eventos (tente limitá-las a duas ou três).
3. Conte o final.

Este parágrafo resume toda a história, mesmo que ainda de forma concisa e crua.


03)
O parágrafo do item anterior dá uma visão geral do seu enredo. Agora você precisa de algo semelhante para os seus personagens. Para cada um de seus personagens principais escreva uma folha de resumo contendo:

1. Nome
2. Frase que o defina
3. Motivação: o que ele quer abstratamente
4. Objetivo: o que ele quer concretamente
5. Conflito: o que o impede de alcançar sua meta
6. Epifania: o que ele vai aprender
7. Resumo de um parágrafo da sua história


04)
Agora é o momento de começar a expandir o enredo. Pegue o parágrafo do item 02. Para cada frase escreva um parágrafo inteiro. Todos, com exceção do último, devem terminar em um desastre. O parágrafo final deve contar como o livro termina. Ao final do exercício, você terá um esqueleto (sinopse) de uma página do seu enredo.


05)
Com base nos resumos de personagem do item 03, escreva uma sinopse de uma página para cada personagem principal e uma sinopse de meia página para outros personagens importantes. Esta sinopse deve deve contar a história (com base no seu esqueleto do item 04) a partir do ponto de vista de cada um desses personagens.


Dica: dê um intervalo de tempo entre o item 05 e o item 06.


06)
Nesse ponto, você fará uma nova expansão do seu enredo. Pegue a sinopse do item 04 e desenvolva cada parágrafo em uma página inteira. Você provavelmente precisará rever tudo que já escreveu e fazer eventuais alterações. Não tenha medo. Faça! E divirta-se.


07)
Lembra da descrição dos seus personagens? Hora de expandi-las e detalhar tudo o que há para se saber sobre eles, desenvolvendo o material que foi criado nos itens 03 e 05. Se não souber como desenvolver, tenha como guia a epifania escolhida para seu personagem (como a história irá mudá-lo).
Dica: se uma mudança no seu personagem gerar algo na história, não veja a mudança como algo ruim. Pelo contrário, isso é bom, pois seus personagens estão se tornando reais. Lembre-se que uma grande ficção é character-driven. É o personagem que faz a história. 
Quando terminar esse passo, terá o suficiente para para começar a escrever.


>> Leia também: 15 perguntas que você (provavelmente) nunca fez ao seu protagonista


08)
Nós bem sabemos o quão traumatizante é a sensação de impotência diante de páginas em branco e é nesse momento que nossos projetos acabam se perdendo. Esse passo tornará tudo mais fácil.
Pegue todas páginas que resultaram do seu item 06 e faça uma lista de todas as cenas que você precisa. A forma mais fácil de fazer essa lista é como se fosse uma lista de mercado.
Se quiser, faça uma pequena planilha que se resumirá a duas informações: a cena e o personagem POV. É importante que sua cena seja resumida em uma frase de uma única linha. É difícil, mas acredite, você irá me agradecer.


09)
Agora é a hora de abrir seu processador de texto e começar a escrever, mas será de forma contida. Uma por uma, pegue cada linha da planilha do item anterior. Seu trabalho será expandi-la de forma crua e multi-ponto. Como?

1. Esboce o conflito essencial dessa cena. Descreva-o em uma frase. Se não houver conflito, adicione. Invente. Tire da cartola. Todas as cenas devem ter algum tipo de conflito.

2. Coloque as linhas frias do diálogo que você imaginar. Apenas o diálogo. Nada de detalhamento.


>> Leia também: Dicas para Escritores: Como Escrever uma Cena


Dica: há pessoas que pulam esse passo. Ele não é de essencial, pois fraciona ainda mais o trabalho e pode ser feito cumulativamente ao passo 10.

10)
Agora sim chegamos ao bom e velho sentar a bunda na cadeira e começar a escrever. Coloque para fora todas as palavras com as quais você sonhou nos últimos dias e surpreenda-se com a facilidade e rapidez com a história voa para fora de seus dedos. Quando terminar, surpresa: você terá seu primeiro rascunho. Depois disso, é só começar seu processo de revisão para encontrar eventuais inconsistências.

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