E então ele me perguntou:
– Como você virou escritora? Quero ser um também, publicar livros e tal.
Eu sorri simpática e disse apenas que não me lembrava direito. Deve ter sido aos dez, onze anos, quando escrevi meu primeiro livro.
Ele me olhou satisfeito e se despediu dizendo, então, que também viraria o escritor que tanto queria ser e que logo publicaria um “best-seller”.
Eu o observei partir, feliz com seu novo título, e pensei com meus botões… Pobre dele; enganei-o com tão pouco.
Errado estava ele de pensar que é o livro que faz o escritor. A bem da verdade, o que me fez escritora foi a vontade de contar histórias e dar vida ao mundo que existe só na minha cabeça. E esse anseio de jogar ao mundo todos os outros universos que existem na imaginação nasce com o escritor – é simples assim, se nasce escritor, não se vira. As tramas nascem assim também; os mundos e personagens simplesmente aparecem diante de nossos olhos – e é isso que importa e que me faz escritora.






