Quero Escrever



Modelo: Luísa Scheid

Eu quero escrever.

Desde pequena sei que quero
escrever. Desde que aprendi a juntar os primeiros traços em letras, as
primeiras letras em palavras, as primeiras palavras em frases, eu quero
escrever. Quero escrever porque tenho muito a dizer, porque tenho muitas
palavras desconhecidas e quero usar cada uma delas em frases desconexas, em uma
tentativa de uma citação brilhante… Porque quero aprender com cada erro
ortográfico, cada frase mal montada, cada texto sem sentido.

Quero escrever porque quero
esquecer… Esquecer todos os traumas, todas as decepções, todas as ilusões – todas
as tristezas e amarguras. Todos os vilões e seus encantamentos, todos os fracassos
e arrependimentos. Esquecê-los ao torna-los memoráveis, motivos de orgulho,
motivações para uma superação, uma reviravolta.

Quero esquecer todos os limites
também.

Quero colocar no papel todos os
outros universos que existem na minha cabeça, quero conhecer todos os personagens
que habitam meu coração. Quero escrever porque quero um mundo onde eu possa
voar, onde eu respire embaixo da água, onde eu possa ler mentes – onde eu possa
criar mentes. Um universo onde todas as mentiras da minha cabeça sejam
verdades, onde elas façam sentido. Quero que das minhas mãos saiam raios, quero
saber caçar, quero até viver um feliz para sempre. Quero realizar todos os
romances dos meus sonhos, quero apresentar às minhas amigas meus namorados
imaginários. Quero voltar no tempo, salvar vidas, talvez até ser uma rainha.



Quero escrever porque é gostoso ter o controle do passado, do presente e do futuro, e saber que mais gostoso
ainda é deixar a trama se guiar sozinha.  Quero escrever – sim, quero descobrir planetas,
viajar pelos continentes, descobrir a receita para a imortalidade. Quero
experimentar a morte, nascer mais uma vez e fazer um espacate. Quero criar
vidas e esperar suas mortes… E, principalmente, quero destruir mundos –
mundos que me limitem, que me reprimam, que me censurem. Não preciso deles.
Porque toda vez que eu escrevo, o meu mundo começa de novo.