A Tal da Friendzone





Você é meu melhor amigo. Basta
ver meu sorriso quando uma mensagem sua – ou você, em carne – chega, para saber
que é real. Mas a verdade é que eu camuflei meu amor por todo esse tempo,
porque dizer as palavras presas no meu peito era mais difícil do que esconder o
que eu sentia. É mais fácil te colocar na tal da friendzone, te abraçar e me viciar no seu perfume, sem medo do dia
em que meu conto de fadas acabará e levará meu coração.

É tão mais fácil me aventurar em
outros braços, mas correr de volta aos seus em cada uma das minhas decepções. Sei
que você sempre estará lá; sei que não importa o quanto tempo passe, pelo menos
o seu ombro eu não vou perder. Basta mantê-lo onde está, por que arriscar? Eu
já arrisquei tantas vezes, e na maioria perdi. Sobrevivi, eu sei, mas porque
você estava aqui.

Você nem imagina o quão mais
fácil é segurar sua mão sem ter qualquer receio de que você me deixará sem
sequer olhar para trás; quão segura eu me sinto ao prender meus dedos entre os
seus, sem ter que dizer palavras bonitas. Sem ter que me colocar em uma posição
vulnerável, um livro aberto, esperando que você diga se quer lê-lo ou não.

Posso fazer de você meu quase namorado
enquanto for meu melhor amigo – te contar meus sonhos e segredos, escutar todas
as suas histórias – sem o peso que o relacionamento traz. No fundo, eu quero
tudo o que uma relação tem de bom, o beijo, a tesão, as promessas, mas o
término me impede de tomar uma atitude.

Você é meu melhor amigo. Um amigo
de quem eu reconheço o perfume, de quem eu sei o filme e a música preferidos,
que discute literatura, que compartilha experiências. Um amigo que eu quero
beijar, que eu quero abraçar… Mas por quem eu sufoco todos os meus
sentimentos pelo medo do seu não. Quisera eu ser mais corajosa para te ver
dizer sim.