Palavras Amargas – Parte V




Síndrome de Peter Pan

A vida é tão irônica que chega
até ser engraçada. Pensar que foi você quem me incentivou a tirar o grande “vai
se foder” que eu guardo e que me corrói o interior me faz sorrir – pensar que o
maior de todos os xingamentos vai para você, me faz rir. Rir quase que
descontroladamente, pensando no quão irônico é escrever esse texto justamente
pra quem me fez querer tirar toda a amargura que eu sempre guardei.

Faz-me tão bem poder jogar todas
as verdades na sua frente que hoje me pergunto o porque de não ter feito antes,
o porque de ter me permitido manter tudo que me fazia mal. Fico até aliviada em
saber que nada de toda a merda que você me fez passar vai ficar comigo; faço
questão de jogar na sua cabeça, quem sabe assim você comece a enxergar a realidade.

Pensei em não escrever, pensei em
só dizer isso depois, queria ser racional para não trazer a tona coisas sem
sentido, mas todas as vezes que tentei ser racional, eu tive que engolir meu
orgulho e o seu sapo. Pois agora é a sua vez de engoli-lo. Não vou passar a mão
na sua cabeça, não vou me fingir de culpada para te satisfazer. Eu conheço meus
erros, conheço meus defeitos – e não vou absorver os seus para que você se
sinta bem.

Você é prepotente. Acha que é bom
demais para o mundo; acha que consegue fazer tudo, que não precisa do mesmo
esforço que o resto do universo para conseguir as coisas. Olhe ao redor um
pouco e me diga o que é que você tem? O que é que você fez? O que é que
conseguiu com seu próprio esforço?

Você é egocêntrico. Acha que é o
único que tem dias ruins. Acha que é o único que tem coisas a resolver e que o
mundo tem que girar no seu ritmo. E ai das pessoas que estão perto de você
quando algo não sai do seu jeito.

Você é orgulhoso e arrogante. Faz
questão de apontar os erros dos demais, mas jamais escutei um pedido de
desculpas saindo da sua boca. Você simplesmente ignora o ocorrido; e eu tinha
que fingir que não tinha acontecido nada, por mais ofendida que eu me sentisse.
Você é estúpido. Não mede suas palavras, a ponto de me ofender em público.



Você é imaturo, você é impulsivo,
você é infantil. Você é apenas uma criança. Eu também já fui assim… Mas
quando eu tinha metade da sua idade. E eu não sou uma Wendy para te aguentar.