Palavras Amargas – Parte IV




Mãos Dadas

Você segurou minha mão. Foi só isso que precisou fazer. Parece pouco falando assim, mas nós sabemos que a verdade é bem
diferente. Você não me conhecia, mas me segurou com força quando eu estava
caindo do penhasco e nunca mais me soltou.

Se eu consegui ficar em pé até
hoje, foi por você. Foi no seu ombro que várias vezes chorei e várias vezes
dormi; foi no seu abraço que vi o mundo desmoronar e se reconstruir. Quando
estava com medo, a sua mão era a primeira que eu encontrava. Quando queria
carinho, eu a sentia em minha cabeça. Você me fez mais forte e mais humana só
com sua presença. Você me preencheu nos momentos de solidão e me transbordou
nos momentos de êxtase.

Apaixonar-me por você foi uma consequência;
calar-me diante disso, minha decisão. Queria ter dito o quanto te queria, mas
não podia. Só podíamos ser amigos. O destino jamais nos permitiu ser algo a
mais.



Fui obrigada a te assistir em
outros beijos, fui obrigada a me satisfazer com outros braços, em um ciclo sem
fim. Nunca estávamos os dois disponíveis, mas nunca nos soltamos. Não importava
com quem eu estivesse, era você meu porto seguro. Não importava nossos
relacionamentos, era sua mão que eu segurava. E eu jamais conseguiria soltá-la.