Palavras Amargas – Parte II



Foto: @juanpsa

Palavras Amargas – Parte II
Boneca
Dear John, I see it all now it was wrong
Don’t you think 19’s too young to be played by
Your dark twisted games when I loved you so
I should’ve known
(Dear John – Taylo Swift)







Eu tinha dezoito anos. Eu tinha dezoito anos. Você? Não preciso nem
falar… Faça as contas. Você lembra muito bem, não? Eu era uma presa fácil,
tinha acabado de sair de um relacionamento e estava mais frágil que porcelana.



Andava contando meus passos para ter certeza de que o chão não ia desabar como
o resto do meu mundo. Foi moleza me dobrar e me colocar na sua mão; foi fácil
me levar na sua conversa bem articulada. Eu estava tão cega pelas
circunstâncias que não consegui enxergar através do seu jogo. Como numa partida
de xadrez, eu era apenas o rei, sem nenhuma defesa, e você tinha um exército
completo e bem treinado. E me levou cada vez mais fundo na sua brincadeira, me
fazendo acreditar no que eu queria ver.



Sabia as palavras certas para me ganhar.
Nem esforço teve; no estado que eu me encontrava, precisava de tão pouco. Senti-me
protegida, preenchida e me deixei levar pelo seu sorriso, pela sua companhia,
pelo seu apoio. Falso, falsa, falso.



Acreditei em cada uma de suas mentiras
mal boladas e mal contadas porque eu precisava de algo para acreditar. Achei
que conseguiria diferenciar os mal-intencionados que queriam tirar proveito do
meu estado psicológico, mas não esperava que tivesse um deles tão próximo.



Eu
deveria ter percebido. Não tenho outra palavra para descrever o que você fez…
Eu me apaixonei pelo personagem que você interpretou; você abusou da minha fraqueza
para preencher o seu próprio vazio e criou todo um mundo para me fazer crer
que aquilo era o certo.



Depois de satisfeito, você me largou onde me
encontrou, sem dizer uma palavra, sem olhar para trás. Passei muito tempo me
perguntando qual seria o motivo – noites em claro pensando no que eu tinha
feito de errado. Eu repassei cada conversa, cada mensagem, cada toque. Estava
óbvio na minha mente que eu tinha feito algo de errado – era sempre eu que falhava,
mas… eu não enxergava exatamente onde.



Então parei de me condenar. Precisei
de muito psicológico para entender que não havia errado com você – o meu erro
era simplesmente você. Minha falha
foi te olhar com otimismo, foi acreditar cegamente em alguém como você, mas o
mais culpado era você – o típico cara que oferece amor e rouba de volta no
instante seguinte.



O errado foi você, que premeditou, fez e sumiu. Eu fui
apenas mais uma na sua lista de passatempos. Você brincou comigo, e sabe disso.
Abusou de alguém que mal tinha saído da adolescência, que mal confiava em si
mesma. Não acha que eu era muito nova? Não acha que você já estava velho demais
para brincar com boneca?