Por que mudar é tão difícil?


Todos nós queremos mudar em vários aspectos. Mas tem hora que nossa vida dá uma empacada assustadora. Não vamos pra trás e nem pra frente; as coisas não saem do lugar; parecemos vacilar em coisas tão absurdamente ridículas que nos sentimos sugados.

Eu tô numa fase meio assim, acho. Tá tudo assustadoramente calmo por fora, mas eu tô um turbilhão por dentro. Acabei de fazer escolhas dolorosas e aparentemente ando me julgando e culpando muito por isso. Uma coisa bizarra, na verdade. E é engraçado porque as coisas estagnaram. Ou melhor, acho que eu estagnei. Quanto mais assustados, mais estagnados.

Ando lendo bastante sobre isso. E a lição mais valiosa que aprendi diz respeito ao acolhimento. Gastamos energia demais tentando reverter situações que simplesmente não vão se reverter – melhor gastar energia tentado acolher a situação e as emoções que ela nos provoca. Deixar a gente em paz, sabe? Acho que as maiores mudanças acontecem quando aprendemos a simplesmente nos deixarmos quietos, sem culpas desnecessárias e sem fardos exaustivos – quando finalmente nos permitimos respirar em paz. Afinal de contas, tudo está em seu devido lugar (uma vez que só possuímos o agora e nem adianta ficar imaginando as coisas sendo diferentes).

Sempre que me sinto assim gosto de pensar que estou no topo de uma montanha observando o cenário geral de alguma cena (que metaforicamente sou eu mesma: meu conjunto de emoções e pensamentos e situações e superações). Esse simples treino me traz de volta à realidade e me ajuda a lembrar que a vida é como um oceano mesmo: ora ele estará sem ondas, ora a maré estará alta, outra baixa; ora as ondas serão fortes e eu vou me afogar, e ora vou me equilibrar plenamente nelas. Acontece que somos exagerados demais e sempre achamos que estamos na fase mais difícil da vida (que drama), mas na verdade são só algumas ondas passando pela gente. E tudo bem. Olhar a situação de longe nos ajuda a ver que a vida não para e que já passamos por momentos assim antes e que, provavelmente, ainda teremos mais fases assim na vida. E isso vai passar.



Acolher a gente mesmo, acolher nossos medos, nossas estagnações, nossos julgamentos, nossas dores. Acolher tudo o que aparecer. Algumas coisas a gente acolhe e coloca pra dormir, sabe? Tem coisa que temos que deixar pra lá pois não cabem na nossa vida, pelo menos não no momento.

Para mudar é preciso deixar-se em paz.

E eu acabei descobrindo que mudar é tão difícil porque sempre acabamos empurrando as coisas com a barriga. E a vida vai sendo empurrada também. Vamos nos deixando pra depois. Só que, por mais dolorido que seja, só colocamos ordem naquilo que tá bagunçado. E outra: mudar depende da gente. Só da gente. E isso é assustador pra caramba. Falta confiança, falta coragem, falta responsabilidade. Uma hora temos que encarar isso – e cada um encara no seu momento; sem pressa, sem competição.

A minha existência tá bem bagunçada, confesso. Porém, dia após dia, estou buscando me deixar em paz – e cada dia vai ficando mais leve. Tenho que me lembrar constantemente que sou um oceano com todas as nuances possíveis. Dá medo e me falta coragem pra encarar a vida em vários momentos do mesmo dia. Caminhando se faz o caminho, né? Mas tem hora que cansa e a gente precisa sentar sim e ficar em paz para retomar as forças e continuar a trilha com energias recarregadas. Então, falo pra você e pra mim mesma: tudo bem descansar e ficar um pouco parada. Já sabemos bem que não existe linha de chegada – e é bem melhor ponderar seus caminhos do que caminhar em qualquer um!


Texto por Karina Angolini

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