De Braços Abertos ao Vento


[ALERTA DE GATILHO: Suicidio]

  Meus cabelos batem em meu rosto incessantemente - o vento os guiam por direções inusitadas até meus olhos, que, fechados, não enxergam a tempestadade que se aproxima... Como se eu precisasse deles abertos para perceber - meus outros sentidos, mesmo que não sejam aguçados, são o suficiente.

  A tempestada a caminho pôs toda a cidade em alerta - com a alta do rio, qualquer chuva seria capaz de inundá-lo -, mas não a mim. A chuva não vai só empurrar a água dos rios para dentro das casas; vai também limpar a podridão de sentimentos que tenho por dentro e afogar em suas águas essa angústia.

  Quero me afogar por inteiro. Com os pés descalços já banhados e escondidos pelo rio que corre forte como se quisesse quebrar meus joelhos, só espero que seja rápido - que a chuva chegue logo a encher esse vale e meus pulmões.

  Se vai doer ou não, já não me importa. Só quero que tudo termine e que nada mais reste de mim - que meu corpo se dissolva e se misture com as águas...

  Não tenho mais medo.

  Aqui, de braços abertos ao vento, espero meu fim.

Um comentário:

  1. Oi, Lu!
    Acredita que eu também escrevi sobre suicídio? Pois é! Mas fiz de forma tão sutil, que as pessoas não perceberam (o que me deixou meio "oi?"). A água no meu texto é do mar. Mas, independentemente de ser doce ou salgada, concordo com o que você diz na sua breve narrativa: ela tem o poder de levar tudo, incluindo as dores.

    Gostei muito da sua cena (e acho que ela poderia fazer parte de algo maior, já pensou em desenvolvê-la mais?).

    Beijos,

    Algumas Observações

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