Caixa de Surpresas



  A vida é uma coisa engraçada - se por um lado parece que estamos no controle de nossas decisões, por outro parece que estamos apenas lidando com as consequências delas. Quero dizer, mesmo a pessoa que tem o maior controle sobre todas as suas opções de vida não tem o maior controle sobre todas as suas opções de vida não tem capacidade de controlar, por vezes sequer prever, quais serão as consequências de tal e tal escolha.

  Vivemos a teoria do caos - e como no filme Efeito Borboleta, uma decisão diferente, um ato a mais ou a menos é capaz de mudar todo o seu destino; ou, para aqueles que acreditam, levar em direção a ele.

  É o sair ou não sair naquela noite - falar ou não dalar com aquele cara que, em algum dos diversos paralelos ou dos diversos futuros possíveis, será sua alma gêmea.

  No final, é um grande jogo de escolhas e perdas - que muitas vezes parece ter mais perdas do que escolhas - em que jogamos sempre o certo contra o duvidoso, esperando que as consequências sejam boas o suficiente parou fundamentar nossas decisões.

   Quando elas não parecem tão boas - quando a grama ao lado parece tão mais verde -, vem aquele saudosismo daquilo que nunca tivemos. Saudosismo que traz uma sensação de arrependimento pelas escolhas não feitas misturado com a vontade de ser algo que não se é.

   Não temos as mesmas habilidades artisticas que aquela pessoa; não fomos aquele lugar. Não compramos uma casa de campo. E isso porque não era o queríamos fazer no momento. Esse desejo vem depois pelo bombardeio de vidas incríveis internet a fora.

   Mas a verdade é que não se dá para querer ter todas as outras vidas - ter todas as coisas que "perdemos", pois elas não existem - e mesmo que existissem, não dependeriam só de nós. Como em um jogo de dados, o acaso também dá seus lances, apimentando e atrapalhando todas as vidas bem planejadas.

  Nesse universo de dúvidas, a vida sempre será uma caixinha de surpresas.


2 comentários:

  1. Oi!!
    Amei a sua escrita. Eu tenho um nome que inventei para isso (não sei se eu que inventei, mas eu falo muito rsrs) que é: "Viver de SEs". Como quando a gente fala: "se eu fosse hoje", "mas se eu tivesse falado", "se eu soubesse". Não podemos viver de SEs porque quando ficamos pensando em todas as escolhas que não fizemos ou que nas escolhas que temos no futuro, acabamos nos esquecendo de aproveitar as escolhas já feitas.
    Beijos!
    Nerd Fox

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  2. Realmente, concordo muito com esse texto.
    A gente precisa arriscar e estar pronto para tudo.
    Afinal, a caixinha de surpresa não nos deixa ver nenhuma brecha.


    Beijos,
    Naty
    http://www.revelandosentimentos.com.br/

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