Diário NaNo - Final

by - quinta-feira, novembro 30, 2017






Como muitos, desde pequena eu gosto de escrever. Nas aulas de redação, o máximo de trinta linhas virava trinta páginas – em geral professora não tinha folhas o suficiente para que eu terminasse minha redação.

Como era apaixonada por Harry Potter, aos dez anos entrei no universo de fanfics e tinha um ship muito especial: Dramione (sim, me julguem). Aos doze anos, escrevi meu primeiro romance original. Ótimo naquela época, hoje em dia... Livrem-me os cosmos de lê-lo. Mas foi só o primeiro – muitos outros projetos vieram depois desse.

Aos quinze anos escrevi e dei um livro de presente para meu então namorado no nosso aniversário de um ano. Aquela época foi minha melhor fase de escrita. Escrevia no mínimo um conto por dia. Meia hora sentada equivalia a quase duas folhas escritas. Tinha vários projetos apenas esperando sua vez – era uma disputa tremenda, mas eu me divertia muito. Com o papel e a caneta e também com meu blog à época.

Escrever era meu paraíso – em qualquer momento, sobre o que fosse. Até as redações do meu ex eu escrevia por puro prazer – e um dos meus maiores orgulhosos foi ter minha redação lida em classe pelo professor dele, porque ele achou que estava excepcionalmente boa.

Mas então cheguei à universidade.

O problema de fazer uma faculdade de humanas, às vezes, é a quantidade de leitura diária que é exigida. Uma quantidade às vezes tão alta que tinha dias que não queria ver mais uma palavra escrita sequer. A única coisa que queria era que meu cérebro parasse de funcionar por um instante que fosse.

Mesmo assim, decidi me envolver em um projeto de livro que me encantou no começo, mas que a faculdade combinada com o estágio destruiu. Foram cinco anos escrevendo, mas escrevendo forçada – porque tinha começado e não queria colocar na gaveta. Era o que devia ter feito, pois pelos cinco anos que me envolvi com a aquela trama, ela sugou tanto de mim que eu parei de gostar de escrever – porque não conseguia ver fundamento. Porque não conseguia sair do lugar. Porque já não sabia mais porque tinha começado a escrever...

Foi uma época sombria. Tão sombria que nem um conto, nem mesmo um poema, uma frase saída de minhas mãos. Meu amado Degradê, o blog que eu criara quando entrei na faculdade por ser o início de uma nova fase, estava as moscas e meu gosto pela escrita, não existia mais.

Então encontrei o NaNo e a única forma que tenho para explicar o que o NaNo fez comigo é na forma de um encontro místico. Encontrei um motivo para tentar escrever de novo. Para alimentar minha paixão pela literatura novamente. Tentei – mas na primeira vez que participei, a vida entrou no meio e não consegui nem mesmo alcançar dez mil palavras.

Daquele novembro de 2016 para novembro de 2017, nada mudou. Ainda existia a paixão pelas histórias que rondavam minha cabeça, mas a vida continuou a entrar no meio. E nesse novembro não foi diferente. Tudo que poderia acontecer para atrapalhar que eu alcançasse meu objetivo estava programado para esse mês, contudo, entrei no páreo conhecendo minhas limitações temporais, no entanto, disposta a superá-las. Desde extração de dente, até prova da OAB, nada seria um empecilho.

Assim, meu NaNo começou e agora, analisando-o, vejo quatro fases: a fase da animação, da excitação, em que além de escrever palavras suficientes para cumprir as metas diárias, até diário de meta eu estava mantendo; a fase dos empecilhos, em que a OAB me impediu de escrever tudo que eu queria, mas eu decidi dar prioridade aos estudos, crente que a partir do dia 20, eu encontraria motivação para dar um gás e escrever o que faltava; a fase da crise, da descrença, quando ao olhar meu gráfico e diante das provas finais da faculdade, desacreditei que conseguirei; por fim, a fase da vitória, do samba na cara da sociedade, que não chegaria sem o apoio do chat nos momentos em que mais desacreditei de meu potencial.

Para mim essas fases representam o meu caminho nessa jornada da escrita – de como precisamos entender que a vida não vai parar e esperar até que você termine aquele projeto que você tanto sonha e de que cabe a você se preparar e colocar a mão na massa se quiser chegar lá. E diante disso, o NaNo me ajudou a voltar a encarar a escrita como uma rotina diária – como a minha paixão da infância –, com os olhos no destino final.

Mas, sinceramente, o melhor presente que o NaNo me deu foi aprender a aproveitar o caminho também. Aprender a aproveitar as pequenas vitórias – a meta diária, a meta pessoal. Mesmo a meta abaixo da meta, mas quem se importa mesmo se vou chegar ao 50k ou não? O que importa é aproveitar cada uma dessas palavras que serão colocadas no papel, pois elas são partes de você.

Sim, essa foi a melhor parte do NaNo. Foram todas as risadas no chat; foram todas as noites de crise com minha trama; foram todas as invejas que senti das pessoas que terminaram antes (inveja essa que, claramente, usei para escrever cenas e mais cenas). Apesar de todo o drama, participar do NaNo foi a melhor escolha que tive para o novembro turbulento que tive, pois agora sei que, não importa o que vai vir pela frente, eu sei que sou capaz.

Obrigada povo.

Vocês são muito amor! <3


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1 comentários

  1. Bom dia :)
    tudo bem?
    Muito bom conhecer um pouco mais sobre você e sua escrita!
    Seu bem como é conciliar faculdade, vida pessoal e o nossos rascunhos com o blog.

    Nunca desista daqui ein?!

    Beijos e se cuida
    www.rimasdopreto.com

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