Infância Querida


Traumas de infância não são facilmente esquecidos. E nem me venha com histórias de que você nem se lembra da sua infância querida, que os anos não trazem mais.
 Recentemente encontrei uma amiga que passou por várias fases da amizade, desde a 1a série do ensino fundamental até o ensino médio. Foi de colega a melhor amiga, a amiga e depois a conhecida. Basicamente todos os status de uma rede social. Hoje, fazia mais de 10 anos que não nos víamos.
Passamos por aquele sentimento agridoce que desce entrecortado. As lembranças estão vestidas com um véu bom e carinhoso, rosa e anuviado. Entretanto, aquela frase... "ainda falo com fulana ou ciclana", te lembra que não falam com você. Nem fulana, nem ciclana, nem ela.
Ai você, no auge da sua maturidade (não é como se você começasse frases com Aí e tipo assim, né?) percebe que o prazo dessa disputinha boba baseada, nutrida e criada na 6a série do fundamental já expirou faz tempo. Você sabe desapegar? Essa cicatriz, que foi marcada por uma quelóide bem das feias,  consegue ser apagada? Você não é mais a menininha de 11 anos chorando de ciúme pela "melhor amiga". Você é, agora, uma mulher forte, independente e não precisa de ninguém. Ou é isso que deve acreditar.
Tem aquela outra amiga que compartilhava todos os dramas, dores e inseguranças da adolescência. Eu tentei, eu corri atrás, mas... o mundo dela é simplesmente grande demais para você entrar. A vida dela é mais interessante e na verdade, mesmo sem querer, ela não precisa de você, talvez você não precise mais dela também.
Nessa mesma semana você vê aquele que já foi seu melhor amigo e que você confiava, dividia cada segundo do seu dia e da sua atenção, casar. E você descobriu isso não porque foi convidada, ele não se lembra de você. Você ainda dá importância à discussão que tiveram 7 anos atrás e que enterrou sua amizade. Você simplesmente não foi e não é importante.
Este não é um texto feliz. De forma alguma. Este é um texto adulto. Longe dos contos de fadas da infância, dos olhos inocentes onde tudo dura para sempre.
Acho que todos tem que passar por suas provações e aprender com ela. Como Rafiki diria: "Ah sim, o passado pode doer. Mas do jeito que eu vejo, você pode fugir dele, ou... aprender com ele."
Você teve que passar por esses cortes, para ter cicatrizes que são símbolos da sua experiência. Seu coração tem cicatrizes, bem como sua alma. Agora você já não sonha mais com tanta pureza. Você deu um chute no Peter Pan e resolveu crescer.

Sabe qual a moral da história? Nem sempre os pássaros azuis vão cantar, nem sempre sua melhor amiga será sua amiga para sempre, nem sempre quem estava ao seu lado vai se lembrar de você. Entretanto. Olhe para os lados. Você não está sozinho. Valorize e cultive quem está ai e viva, acima de tudo, o presente.


(Autoria anônima, a pedido do autor)

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