Olhos atrás da cabeça

by - terça-feira, maio 23, 2017


Quando era criança, costumava imaginar que tipo de homem iria ser. Hoje em dia, tremo de medo só de pensar em decidir isso.
   Seria eu o homem que vê o mundo através do cano da arma, vendo a tudo e todos como o inimigo? Ou seria eu o homem que vê o mundo através do buraco da fechadura, sempre espiando por aquilo que nunca irá conseguir? Sou aquele que sempre irá ver o mundo através dos olhos dos outros, sem nunca descobrir o que eu mesmo sou capaz de ver? Ou talvez eu vá ser aquele que passa a vida toda procurando por um olho para chamar de seu.
   Concluo que não sou nenhum desses. Esses são apenas ideias vagas daquilo que eu não consigo de maneira nenhuma ver. Não, eu sou aquele que olha para o mundo pelo lado errado, vê? Aquele que vê as imagens antes delas serem invertidas pelo nervo óptico, vendo apenas uma coisa distorcida e falha, uma coisa que meramente remete à realidade, mas nunca será capaz de substituí-la. Aquele que será capaz de amar a ser amado, mas nunca será capaz de ver esse amor, aquele que ou se tornará um mártir ou um tirano, um vilão ou um bom samaritano, um homem bom ou um homem cego, um homem que rima ou um que dá pena, um que canta ou um que escreve, um que bebe ou um que morre, um que se culpa ou um que esquece.
   Serei um desses, ou todos, ou nenhum.
   É. É bem a minha fazer algo desse tipo.



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