Num Punhado de Pó

Imagem: ExistenceSD

(...)
E nenhum rumor de água a latejar na pedra seca. Apenas
Uma sombra medra sob esta rocha escarlate.
(Chega-te à sombra desta rocha escarlate),
E vou mostrar-te algo distinto
De tua sombra a caminhar atrás de ti quando amanhece
Ou de tua sombra vespertina ao teu encontro se elevando;
Vou revelar-te o que é o medo num punhado de pó.
(...)

- T. S. Eliot, “The Waste Land”, tradução de Ivan Junqueira

***

Quando meu olhar sóbrio se enlaça no espelho
Com a sombra do meu diabo vermelho
Tudo o que vejo é aquilo de que me esqueço

Sou um estranho vagando no deserto
À beira da duna e da morte
Sem medo e sem sorte
Enquanto a noite me engole
E a Lua transforma a areia
Em algo menos que pó
E mais como o osso
De algo sem rosto

Então, o cruel vento me acorda
Mas a minha alma não desperta
De muitas maneiras, incerta,
Vagando pelo deserto enquanto o esqueleto não cede
E o corpo apodrece
No lugar onde a areia esquece o Sol
E a Terra esquece tudo

Ignora as miragens e os oásis
Jogando xadrez com cada passo que dá
E perdendo um pouco mais a cada momento que passa
Se lembrando um pouco da vida passada
E da carne estragada.
Afinal,


ele é apenas um estranho vagando no deserto.



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