Nas Noites Certas





“Eu costumava pensar que a pior coisa na vida seria terminar sozinho. Não é. A pior coisa na vida é terminar rodeado por pessoas que te  fazem se sentir sozinho.”
- Robin Williams como Lance Clayton em O Melhor Pai do Mundo (2009),
escrito e dirigido por Bobcat Goldthwait.  

Na maioria dos dias, eu me sinto sozinho. É assim, do momento que eu abro os olhos até aquele em que caminho cansado para a cama. É assim em todo almoço e jantar, e todos que eu encontro no meio tempo só me fazem sentir ainda mais sozinho. Há momentos em que essa solidão é mais que devastadora, momentos em que ela parece me sufocar em um instante. É, depois de um tempo, até essa solidão fica velha. Aquela que vem após eu fechar os olhos, essa é a que sempre consegue me surpreender.
   Não é todo mundo que sabe o que é ser solitário para valer. Solidão é mais que um sentimento, mais do que a falta de companhia: é um estado de ser. Não se pode escolher ser solitário mais do que se pode escolher ser alto ou baixo. Como eu disse, é um estado de espírito. Pode vir uma vez por mês ou uma vez por hora, mas sempre vai vir por você, mais cedo ou mais tarde. Solitários podem gostar de qualquer coisa, menos de solidão. Não, isso é coisa de gente que ainda tem algo a perder. É à noite que esse tipo de pensamento vem com força.
  Não me sinto bem quando estou sozinho, nem calmo, nem silencioso, nem qualquer porra de bom.
   Mas me sinto certo.
   Certo.
   Certo?
   São noites como essa que eu saio pra dirigir no meio da madrugada, quando sei que não vou poder dormir mais e que não há sentido nenhum em ficar parado olhando pro teto. Há algo de tranquilizante em dirigir à noite. É como sair sozinho acompanhado por outras pessoas que também não conseguem dormir. Minhas noites preferidas são aquelas em que a melancolia me inspira a ligar o rádio e ouvir músicas com poucos acordes enquanto discorro minhas teorias existências ao lado das águas igualmente obscuras do Tietê.
   Noites em que a melancolia invade o cerne do meu ser e me separa de tudo na Terra, corta tudo o que eu tenho ao meio e me faz sentir como um nada. Eu sonho com essas noites, cara. Noites em que não consigo dormir. Noites em que tudo dá errado pra mim. Noites em que dá tudo... é.
   Não são felizes, ou calmas, ou silenciosas, nem qualquer merda de...
   É.
   Acha que esse é o destino de todo mundo? Que todo mundo está destinado a ser sozinho no final das contas, não importa o que faça? Que sonho.
   Mas eu acredito em algo. Algo que me parece mais certo do que qualquer outra coisa que eu já pensei na vida, algo que não muda em nada a minha vida, algo que dá um sabor de crueldade em tudo o que faço, e nada mais.
  Não importa quem você é ou o que a vida fez de você, dado o espaço e o tempo necessários, todos nos tornamos as pessoas horríveis que sempre fomos destinadas a ser.
   É.
   Que sonho.





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