La La Land: Cantando Estações



Não se fazem mais filmes como esse.
 Isso é o que quase todo crítico irá te dizer sobre “La La Land”, o que é completamente verdadeiro. Sendo assim, o que eu posso dizer sobre o segundo filme de Damien Chazelle, estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling? Bom, apenas uma coisa:
 “La La Land” é um sonho.
  
 Mia (Emma Stone) e Sebastian (Ryan Gosling) são dois artistas frustrados vivendo hoje em Los Angeles, perseguindo seus respectivos sonhos na cidade grande e, através de coincidências dignas de musicais dos anos 70, se conhecem e se apaixonam.
 Nada nessa sinopse pode te preparar para a experiência que é ver “La La Land” no cinema.
 Eu vi esse filme em uma sessão lotada que terminou por volta de 20h. Havia uma sessão logo depois, as 21h. Foi preciso todo o autocontrole que meu corpo fragilizado foi capaz de fornecer para que eu não jogasse tudo para os ares e voltasse para o sonho que há pouco me escapara.
 “La La Land” me manteve com um sorriso nos lábios do início ao fim. Isso se deve à aura de simples e completo otimismo que Chazelle consegue intuir em cada cena e ainda sim construir uma trama muito bem feita e realista. É um musical com um feel daqueles dos anos 50 como “Cantando na Chuva” e “Os Guarda-Chuvas do Amor” executado com técnicas modernas tal como o uso ao mesmo tempo orgânico e meticuloso de planos sequências durante as cenas de dança e que se preocupa com questões contemporâneas de fama, sucesso, ambição e amor.
 Alguém que olhe de longe poderia assumir que esse é um filme que glorifica Los Angeles e a indústria de Hollywood, servindo apenas como um clássico escapismo cinematográfico. Porém, basta um olhar atento e uma mente aberta para que essa visão seja provada equivocada. Em seu âmago, “La La Land” é um filme sobre sonhadores, e qualquer elemento onírico presente na cidade em que esses sonhadores vivem é um subproduto de seus próprios sonhos e esperanças.
 Damien Chazelle consegue, assim como em “Whiplash – Em Busca da Pefeição”, fazer maravilhas com suas cenas e seus personagens, merecendo sua Globo de Ouro de melhor diretor e sua nomeação ao Oscar. Todas as locações são reais e tangíveis, fazendo com que o espectador se sinta livre para explorá-las a seu bel prazer, com cinematografias de cair o queixo e um roteiro simples e encantador com visuais ecléticos e coloridos.
 A única e verdadeira crítica que eu posso fazer de “La La Land” é que embora seus protagonistas sejam carismáticos e consigam carregar o filme sem nenhum problema, seus personagens secundários servem apenas ao propósito das cenas em que aparecem ao invés de servir ao filme como um todo, de modo que no final da sessão eu me lembrava deles não por seus nomes, mas sim por suas relações com os personagens principais: as amigas da Mia, a irmã do Sebastian, os pais da Mia. Esse é um problema que também existe em “Whiplash”, - o pai do Andrew, a família do Andrew, a namorada do Andrew – e que eu realmente achei que o Chazelle poderia ter superado. Ironicamente, no entanto, esse defeito é menos evidente aqui do que em “Whiplash”, já que aqui as personagens aparecem por um tempo muito mais curto e nunca são colocadas no mesmo grau de importância da trama principal.
 Quanto às músicas e a trilha sonora, é preciso realmente tirar o chapéu para o compositor Justin Hurwitz: ele cria melodias tão animadoras quanto dramáticas que juntas formam algo realmente belo. O mesmo pode ser dito com relação à coreografia de Mandy Moore e a dedicação de toda a equipe.
 Emma Stone dá uma das melhores performances de sua carreira, dando tudo de si numa personagem que em mãos menos experientes acabaria chata e sem graça. O timing de comédia de Ryan Gosling continua a impressionar, como já tinha dado para ver em “Dois Caras Legais”, de Shane Black, estrelado por Russel Crowe e Ryan Gosling. Juntos, eles formam um casal intenso e complementar, conquistando facilmente a simpatia do público. O comprometimento dos protagonistas com a cena não é nada menos do que louvável, ambos tendo de aprender a executar suas danças sem nenhum corte e Gosling tendo de aprender a tocar piano em um espaço de tempo de apenas alguns meses.
 Seria fácil colocar uma música de fundo ou apenas um clipe e eu te convenceria imediatamente da mensagem que eu estou tentando te passar aqui: você precisa ver “La La Land” no cinema enquanto ainda é tempo. Mas eu não gostaria de te roubar da experiência de viver algo verdadeiramente novo e especial, porque honestamente, é exatamente isso que “La La Land” é: especial. Vá ao cinema esperando por isso e eu prometo que você não irá se desapontar.
  
 Pois é.
 “La La Land” é tudo isso mesmo.
 E ainda um pouco mais.

 “La La Land” é um sonho.



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