Harry Potter and the Cursed Child





Harry Potter and the Cursed Child: J.K. Rowling, John Tiffany e Jack Thorne(imagem)
Lumos.


Após meses de antecipação seguidos de seu anúncio em abril de 2016, o roteiro da peça Harry Potter and the Cursed Child foi finalmente lançado à meia noite de domingo, 31 de julho (aniversário tanto de Harry Potter quanto de J.K. Rowling, fun little fact), para delírio de fãs ao redor do mundo. A edição de capa dura conta com ambas as partes da peça, originalmente performadas separadamente. Atualmente apenas as edições britânica e americana estão disponíveis para compra, com a promessa da versão brasileira para 31 de outubro.
   Eu receio ser uma pessoa extremamente suspeita quando o assunto é Harry Potter. Foi parte integral da minha infância e, mesmo hoje, ainda sinto um prazer inenarrável ao pegar para ler qualquer livro da série. E ainda assim, foi com extremo ceticismo que abri The Cursed Child. Havia me sentido completamente realizada ao final de Relíquias da Morte e não senti que houvesse necessidade de continuar a história, por mais que a perspectiva de nunca mais me deliciar com as surpresas do universo de Rowling doesse até o osso.
   The Cursed Child se passa logo após o epílogo de Relíquias da Morte, dezenove anos após a Batalha de Hogwarts. Acompanhamos Albus, filho de Harry e Ginny, uma criança confrontada com a cruel tarefa de viver à altura do pai, mesmo sendo completamente diferente dele, e sua amizade inusitada com Scorpius, filho de Draco Malfoy.
   Os antigos personagens não são jogados para escanteio. Vemos o Harry Potter adulto, lidando com os desafios da paternidade e suas obrigações com o Ministério da Magia. Rony, Hermione, Draco e a maior parte da velha guarda está de volta, com algumas aparições muito, muito, especiais.
   É importante saber que The Cursed Child não é o oitavo livro de Harry Potter. É a oitava história, é o roteiro de uma peça que conta essa história e portanto deve ser julgado como tal. Não há espaço para descrições detalhadas e pensamentos introspectivos, já que a maior parte do texto é composta por diálogos. É uma leitura extremamente fácil, rápida e divertida.
   Os diálogos são belamente escritos e se beneficiam enormemente da bagagem de livros já escritos por Rowling. Não há falas expositivos ou fora de lugar. Ele absolutamente requer que você tenha lido os outros livros da série e, francamente, por que não deveria? Me recuso a ver como negativo o fato do livro não perder tempo com conceitos já resolvidos e explicados em histórias anteriores.
   A história é muito bonita, explorando temas como paternidade, expectativa e decepção sendo muito fácil se identificar com diversas situações.
   Porém, receio ter demorado tempo demais para em simpatizar com Albus, apesar de suas frustrações serem familiares e compreensíveis. Sito que alguém que acaba de conhecer Harry Potter por meio deste livro terá mais sorte em se identificar com o garoto mas, como já discutimos anteriormente, esta não é a opção mais aconselhável, de qualquer maneira.
   Por outro lado, e eu não acredito no que estou prestes a escrever, Scorpius Malfoy é o melhor personagem aqui e definitivamente um dos melhores da série. Ele tem de longe as melhores e mais engraçadas falas da peça. É carismático da cabeça aos pés e, se algum dia este que vos fala tiver a oportunidade de ver essa peça ao vivo, ele será o que estarei mais ansioso para ver.
   The Cursed Child explora a possibilidade de universos alternativos nos quais uma miríade de coisas poderiam ter acontecido de maneira diferente apenas por conta de um detalhe. É uma maneira inteligente de fazer graça do quão redondo e amarrado o universo de Harry Potter é, e o quão fácil seria arruiná-lo.
   É um golpe de nostalgia atrás do outro. Rowling sabe exatamente quais fios mexer para levar o leitor à beira de lágrimas. Me dava um sentimento especial só de abrir as páginas e saber que os personagens que eu amara tanto estavam ali, comigo, uma última vez.
   O verdadeiro sucesso de The Cursed Child é o quão relevante sua trama é. Mesmo após sete livros, oito filmes e incontáveis fanfics, ainda é possível introduzir novos e diferentes elementos a uma narrativa já excelente e povoada por toda sorte de personagens mágicos. Enquanto não é “a oitava história” no sentido que muitos esperavam, Harry Potter and the Cursed Child conquista orgulhosamente o seu lugar em meio a saga do bruxo mais famoso do mundo e é essencial para qualquer fã que sinta falta dela tanto quanto eu.

Nox.




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