Sol de Março

by - domingo, março 20, 2016



Caminha debaixo desse sol de Março.
A estrada é longa, a espera também.
O tempo apenas acompanha. Cada passo, cada sopro, cada pulsar.
Seu local de origem ficou pra trás e sua busca é longa. A verdade é pra poucos.
Quando você nasceu a Terra inteira sorriu e fez um pacto com o Sol de que você teria luz própria. Assim, quando a noite chegasse, a Lua fecharia seus olhos.

Teu olho é verde e cê parece que veio do céu.

Descanse um pouco, peregrino.
Você ama esse chão seco que machuca seu pé.
É tarde e a brisa da noite quer te ver.
Já dormiu na grama e se cobriu com o céu? Já jurou para a Lua? Já contou um segredo às estrelas? Já sonhou com Deus?
Cada som da noite é uma ilusão que você deixou pra trás. E elas soam como um despertar.
Enquanto Marte beija sua testa, Saturno acaricia seu cabelo. E todos os outros planetas cantam pra você dormir.
A aurora boreal colore o véu da madrugada e pinta seu sono. Garante sua paz até o amanhecer.
É hora de fechar os olhos e olhar pra si, pra dentro. O silêncio quer conversar.
A resposta virá sem que você pergunte.
Dorme, peregrino. Descansa o coração.
Você lançou sua flecha invisível ao destino e agora quer buscá-la.

Cê parece música, cê não parece gente.

A noite acordou o dia, peregrino.
A estrada te chama. É hora de pôr a prova tudo o que a dor lhe ensinou.
Suas lágrimas fizeram a força brotar do chão árido pelo qual você caminha agora.
E seus pés juraram nunca parar até que seus olhos vissem o que seu coração procura.

Vou lhe contar um segredo, peregrino. Você não precisa mais andar, agora você tem asas.


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