Irmãos

by - segunda-feira, janeiro 11, 2016







Toda guerra já travada na  história da humanidade possui apenas dois lados: os vivos e os mortos. E qualquer um que diga o contrário está prestes a virar a casaca. 

   Essa é uma lição que eu aprendi quinze segundos atrás, quando o rosto pálido e sem vida do meu irmão atingiu a lama. 
   Eu o conheci faz apenas uma quinzena, quando um homem zangado de uniforme gritava instruções para um bando de cadetes que pareciam aterrorizados demais com o rifle que seguravam em suas mãos, talvez com medo de que a coisa fosse explodir caso não o segurassem de maneira correta.
   Você acha que quinze dias é muito pouco tempo para conhecer alguém até que você diz adeus à todos aqueles que conheceu por quinze anos. O homem zangado de uniforme nos diz que a partir daquele momento somos todos irmãos. Irmãos de guerra. Que nosso dever é morrer pelo homem ao nosso lado.
   Nosso dever é morrer pelo homem ao nosso lado ou matar o homem à nossa frente.
   Esse é o tipo de pensamento que nos faz perder a guerra, diria o homem zangado. Meu irmão se abstém de comentários. Suspeito que o pensamento tenha lhe causado melancolia. Não sei o que sentir a respeito disso no momento. Agora sinto culpa.
   Afinal esse é o tipo de pensamento que nos faz perder a guerra.
   Ele me fez prometer que se algo lhe acontecesse eu deveria dar a notícia a seus pais.
   Eu não queria, não quero ter que cumprir essa promessa. 
   E é por isso que eu abandonei a trincheira em que meu irmão morreu.
   Nosso dever é morrer pelo homem ao nosso lado. Sim, esse é nosso dever.
   Soldados não foram feitos para sobreviver a guerras.



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