Fome e Paixão




Fome é uns dos mais atávicos instintos do ser humano. A garantia da sobrevivência do indivíduo e da espécie. Não é algo que queiramos, é necessidade. O corpo pede, é essencial, urgente.
 A urgência da fome se assemelha ao sentimento de paixão. Ambos são um querer dominador.
Certa vez, assistindo o filme “O segredo dos seus olhos”, em um certo momento um personagem diz: “As pessoas podem mudar de tudo, de cara, de casa, de família, namorada, religião, emprego, de Deus. Mas tem uma coisa que não se pode mudar. Não se pode trocar de paixão”.
Quando digo paixão não me refiro ao amor, paixão mesmo. Pois até os amores podem mudar ao longo do tempo.
Antes da vida me levar para o caminho da arte, esta já era minha paixão. Lembro-me como se fosse ontem que em meados de 2006 fui ao teatro assistir a peça “A trágica história do Doutor Fausto”, adaptado ao teatro de bonecos. Maravilhosa, por sinal! Estava na platéia sentada com um amigo e sua namorada, que cursava Artes Cênicas. Eu acabara de conhecer a moça e já estávamos engatadas em um papo animado. Conversamos sobre a faculdade que ela cursava, na época eu era estudante de Biologia. De repente, em apenas um instante da conversa, revelei para mim mesma o que fui tomar consciência anos depois. Disse: “Biologia é o amor da minha vida, mas a arte é minha paixão”.
E a paixão é uma coisa má, terrível. Ela te domina, te escraviza, dói por dentro.
Você não se vê satisfeito enquanto não fizer sua vontade, pois ela é mais forte que tudo.
Paixão é fome, muita fome. Sinto-me insaciavelmente faminta por tudo pelo que tenho paixão. É incontrolável.
Na fome fisiológica, o estômago pede alimento. Na paixão, a alma pede. E “a arte é o alimento da alma” (frase dita por alguém que não conheço, mas que deve ser muito apaixonado).


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A melhor decisão a tomar é aquela que te acalma.



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