Déchu

by - quinta-feira, janeiro 14, 2016



Firma-se no ermo do pensamento
Congela-lhe o frio cada osso
No tempo perdeu-se em momento
Abriu seu mundo em desgosto

Ruína tecida por lágrimas
De dúvidas longo caminho
Perdida no inferno a estrada
No inóspito anda sozinho

Carrega consigo a dor
Ardendo inflamada no peito
Desacreditado no amor
Cuspido, troçado, desfeito

Oh, céus? Quão cruel sois, que te fiz?
Clama em silêncio em seu peito
Sem esperança, infeliz
Largado ao destino sem jeito

Sob o seu céu roxo, desanuviado
Canta baixinho a canção
Sofrendo o suplício calado
Imergindo na escuridão

Silêncios.
Sangrentos.
Ignóbeis.
Agourentos.

Perdido se fez em sua terna paz
Calado ao mal que aturdisse
Jogado no buraco que jaz
Engasgado pelo que não disse

Carinho encontrou em mórbida amiga
Nos plácidos campos de sua memória
Loucura injustificada e ferida
Que alcançou o ápice de sua glória

Findado no sono de eterna certeza
A morte lhe fora a alcora
E o alvo de cega e ferina tristeza
Julga o destino de sua alma agora.



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2 comentários

  1. Caramba, que poema lindo!
    Você escolheu as palavras certas, com uma precisão incrível.
    Sério, lindo, lindo, lindo! <3

    p.s.: Gosto muito das publicações por aqui, adoro vir nesse cantinho para me inspirar, de verdade mesmo. <3 É por causa de todo esse seu lirismo que lembrei de você quando fui fazer um desafio de cartas. Totalmente sem compromisso, só faz se tiver vontade. Vou deixar o link aqui caso se interesse:
    http://perolairregulaar.blogspot.com.br/2016/01/desafio-12-cartas-para-12-meses.html

    Beijos!!

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    Respostas
    1. Oi, Pérola! Desculpe a demora em vim responder, passei um tempo afastada do blog. Obrigada pelas palavras, flor, fico feliz que tenha gostado do meu poema! Sério mesmo! Não sou muito boa escrevendo poesia, acontece de vez em quando rsrsrs super beijo pra você e vou dar uma conferida sim!

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