Sobre Amor e Dor




E se cada dor pudesse ser extinta facilmente? Pergunto-me isto, pois sempre fui consciente que algumas coisas precisam ser vividas para que outras possam ter o devido direcionamento. Eu sempre acreditei em amor. Amor de verdade. Amor a primeira vista. E todos os outros que possam existir. Sim, pois ouvi muitas pessoas falarem sobre diversos tipos de amor, e nunca duvidei de nem um deles ‒ certa vez me perguntaram se eu realmente acreditava em amor a primeira vista, eu apenas retruquei a pergunta perguntando por que eu não deveria acreditar? Alguém, um dia, disse que existe, então, quem sou eu para duvidar? Bem, e não é que eu vivi esse tal de amor à primeira vista, fez bem eu não ter duvidado: eu teria pagado a boca. Mas voltando as dores, não é novidade que dor e amor andam de mão dadas, não é mesmo? Pois, quando se fala em dor, pensa-se em ferimentos, acidentes, ossos quebrados: dores físicas; mas, certa vez, em algum lugar que o cérebro processa dores sentimentais do mesmo modo que dores físicas. Então a famosa frase “meu coração dói” que demonstra que alguém está sofrendo, não é apenas um exagero, o coração realmente dói, fora outros sintomas, como a falta de sentido na vida.
Enfim, mas o que a dor nos traz? Eu poderia dizer mil coisas que mudaram quando tudo se foi com a dor, sua chegada não é aguardada e é de difícil recepção, sua estadia é mais difícil ainda, porém é nesse momento em que podemos começar a expulsar essa senhora que acaba perdendo o sentido a cada dia, ou não. O fato é que nada precisa ser vivido ou sentido eternamente, passam-se as horas, as nuvens se movem e os seres humanos precisam mudar. E a modificação acontece por meio da dor, por meio da insistência, pelo querer. Ah, o querer é peça chave, mas falaremos em outra crônica, mas se é preciso querer, como eu quero escrever outra crônica.

A cada rejeição e a cada ardor no coração nós nos fortalecemos, o que não mata fortalece: alguém disse isso um dia, e com certeza não podemos deixar uma dor sentimental nos matar. É claro que há pessoas hipersensíveis a tal, delas cuidamos com extremo vigor, mas nós que somos fortes de mentalidade, não devemos nos deixar cair ‒ é claro que haverão momentos em que será difícil sorrir para todos e que choraremos sobre tudo, mas chorar liberta. Chorar lava a alma. Então choremos, limpemos os olhos embaçados e enxerguemos que a vida segue, o mundo gira, as nuvens se movem e nós teremos que sentir a dor novamente à frente.



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