O Iate e o Mar

by - sábado, outubro 17, 2015



Certa vez em uma aula, perguntei a um aluno: existe alguma coisa que você acha que merece mas nunca recebeu?
Ele então respondeu que sim, voltei a perguntar: o quê? Ele pensou por alguns segundos e sem ter muita certeza de sua opção respondeu: um iate.
Fiquei o dia inteiro pensando sobre aquela resposta – Um iate? Para quê?
Depois de um tempo cheguei à conclusão de que existem pessoas que querem o iate e as que querem o mar.
Se você quer um iate, pode trabalhar para poder comprar e manter um, mas se quer o mar é muito mais complexo, pois é um querer de contemplação. O pôr do sol, a lua, as estrelas e o que existe de mais belo no mundo foi feito para ser admirado. É um querer que implica desapego, já que nunca teremos o mar, o pôr do sol, a lua ou as estrelas. É um querer simbólico, sem egoísmo, sem amarras, é um não-querer.
O iate nos permitir controlar o caminho, o mar nos leva. O iate pode te proporcionar segurança, mas o mar te abraça, te envolve, te acaricia. No iate você vê o mar, mas o mar não te vê. Ele quer que você faça parte dele, que brinque com ele.
Não há nada de errado em possuir um iate, mas que o abraço do mar não fique pra depois.

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