Noctívago




O ar da noite me invade
Inspira, reluz, estremece.
É nesse tenebroso ar,
Que encontro meu eu oculto.

Sombria noite, tão bela,
Umbral lúgubre que com a morte
Faz contato e com seus tentáculos
Afaga as almas condenadas.

No branco límpido das paredes
A macabra solidão acolhedora
No escuro doce e funesto
As vozes ecoam, gritam.

O inferno se abre, rompe,
Quebranta o equilíbrio e a paz
Rasgando o véu de luz que restou
Enquanto corrompe a alma pura.

Vago à noite, céu aberto,
Sombria companeira que faz tremer
A alma de medo, no corpo reflexo
Loucura tão doce, desconhecido mistério.
No habitat dos monstros que habitam a noite
Meus demônios se agitam e palavras gritam
O real desaparece e range a tormenta
No caos que se forma dessa alegria onírica.

Sou filho do medo, parido na noite
Assombrado, caçado, vítima, caçador.
De medo açoitado e dono de açoite.

Em meio ao silêncio, na noite sombria
A marca esclarlate que jorra do leito
O gozo de ser da noite uma cria.




0 comentários:

Postar um comentário

 

Curta