Conhecendo-o



Era quase que uma não vida vivida. Eu não conseguia me movimentar, a perna travara. Os braços também. Mas eu estava num sonolência tão profunda.
 A cama macia, o quarto escuro, eu não desejara um melhor ambiente que aquele. Lá estava perfeito, estar lá era incrível. O tempo estava fechado, de olhos fechado eu sabia, sentia o incomum frio do clima. Deveria estar tudo nublado. O quarto quase nunca estava escuro, só quando nubla o céu.
 Isto me lembra de quando chovia às sete da manhã. Nunca mais acontecera, deveras, mas era magnífica a força das gotas monstruosas que caiam no telhado, numa sinfonia continua e estrondosa. A escuridão que nos envolvia logo no nascer do sol nos dava o doce sabor do sono profundo, aqueles dias em que nada se quer fazer, só deitar.
 Mas hoje não tínhamos chuvas, tínhamos cheiros: o cheiro inconfundível de flores. Eu não sabia distinguir qual seria, mas era doce e provocante. O silêncio era nato e a tranquilidade sentida. Nunca houvera tanta paz na vida, talvez a falta de movimento no corpo fora apenas a vontade digna de provar da paz que se instalara ali.
 Havia um vazio, um vazio que agora era preenchido aos poucos e lentamente. O vazio estava ali no quarto, mas o que seria o vazio preenchido? Continuaria vazio, vazio por dentro. Mas o vazio se esvaia, e o quarto era adentrado, eu não sabia pelo o que ou por quem, sentia a presença. Cada vez mais próxima, o peso sendo sentido no corpo. Eu afundara milímetros no coxão. Algo estava em cima de mim. Meus ossos estalavam, um a um, pouco a pouco. Era a paz, a paz tomava conta de mim. Ela pesava sobre meu corpo, nunca sentira algo parecido antes. A paz me tranquilizava, estava tão bom... !!!

 ... um estalo mais forte.

 Senti vontade de abrir os olhos. Abri-os: era tudo tão claro, mais tão claro que me ardia o cérebro. Minha cabeça latejava, muita luz para que eu pudesse comportar nas pálpebras. Pus as mãos no rosto e elevei-me. Elevaram-me. Não sei, de fato, fui elevado. A paz tomou conta de mim novamente...

 ... um estalo forte nas costas!

 ... era o tento do quarto que eu focava agora. Onde estava toda a luz? Eu não sabia responder. Pisquei e fechei as pálpebras novamente. O penso ainda estava em mim, e eu sem movimento. Até os das pálpebras perdi novamente... !

 ... estalou!

 Olhava ao redor, a luz cessou sua intensidade. Era tudo tão alvo. Não sentia mais os ossos estalarem. Agora havia um barulho estranho, como se algo estive se movimentando, algo imenso. Como se prédio se movimentasse, senti uma tristeza. Meus olhos encharcaram-se e eu vira tudo embaçado pela gostas salgadas.
 Branco, tudo brando. Então a luz diferente veio. Não voltou. Era outra. Azul, como a água dos oceanos, era azul gigante! Era azul e gigante. A paz não me estalara mais o corpo, mas me sustentava.
 Elevou-me! Continha-me. A paz me impedira de movimentar-me, mas eu já não estava mais travado. Era tanta gloria que estava envolta, era tanto amor e compaixão; Ele era azul e gigante...

 ... era azul e gigante...



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