Ah, felicidade...





Tem certas horas que se você não tiver uma família amorosa, muita fé em Deus, um bom cd de música clássica e bastante força de vontade você não escapa! Porque, meus queridos amigos, a vida é exatamente como nessa foto que eu coloquei para ilustrar o post, ela te oferece um momento de alegria e, no minuto seguinte, quando você acha que finalmente tudo deu certo, ela te derruba em um buraco negro.
Aristóteles afirma, em Ética a Nicômaco, que a felicidade não devia ser confundida com momentos de prazer momentâneo, ou seja, com “momentos felizes”, ela é fruto de uma vida equilibrada e comedida, pregando totalmente o contrário da realidade capitalista na qual vivemos. A felicidade é um estado de espírito, uma consequência de viver em função do bem ecológico (o meu bem pelo bem geral), praticando o bom senso e buscando o conhecimento. Mas, se prestarmos atenção, vivemos rodeados de momentos felizes, acatando-os da vida como pássaros em uma praça brigando por migalhas de pão, mas quem, nesse mundo de hoje, é realmente feliz? E digo feliz na concepção Aristotélica, de forma plena, equilibrada e em função do bem ecológico. Eu, pelo menos, não conheço ninguém.
O que eu vejo são pessoas iludindo-se com momentos felizes e utopias, mas que apenas sobrevivem alienadas pela concepção de que ter é ser, prezando a quantidade ao invés da qualidade. Um mundo de pessoas com cabeças vazias que vivem para julgar os outros por remarem contra a corrente. Felicidade? Não. Felicidade é provavelmente a coisa mais buscada da humanidade e a mais inalcançável, porque vivenciar essa vida equilibrada e comedida não é uma tarefa fácil nesse mundo consumista e individualista no qual vivemos, e quando alguns decidem nadar contra a corrente, acabam banhados e sufocados no próprio sangue — vejam a Síria. — Felicidade... o que é isso?
Dizem que desenhos da Disney são bestas, eu discordo. A maioria deles passa mensagens profundas que as pessoas insistem em ignorar — Olha Wall—e aí, falando contra o consumismo, o capitalismo e o futuro da humanidade se continuar como está? E de que isso adiantou? As pessoas continuam desmatando, invadindo a natureza de maneira brusca na sede pelo ter e ter mais. — tenho 25 anos e sou uma consumidora assumida da animação da Disney, porque gosto de ver as mensagens por trás dos personagens fofinhos e das coisas que a maioria das pessoas julga como bestas. Em Enrolados há uma fala da mamãe Gothel que ilustra bem o tema do meu post de hoje: “O mundo lá fora é cruel, qualquer sinal de felicidade que ele encontra, ele destrói.” Sonhadores digam o que quiserem, mas essa é a maior verdade da humanidade hoje. Desde que eu comecei o tratamento psiquiátrico eu tenho procurado parar de ver só o lado ruim das coisas, mas ver tudo como um todo, e tenho realmente descoberto muita coisa boa em baixo de todo esse lodo e lama podre do mundo, há, realmente, algumas coisas ainda pelas quais lutar, pelas quais continuar, pelas quais seguir em frente, mas confesso, é muito difícil, mesmo vendo todo o meu progresso até agora em três meses de tratamento, mudar uma cabeça pessimista e desacreditada nesse mundo em que vivemos.
Quando fui embora da minha última consulta — já um pouco atrasada para sair para faculdade — meu médico parou na minha frente e me disse “Continue firme assim, vai ter momentos em que coisas ruins vão acontecer e você vai querer desistir de tudo, achar que não vale mais a pena continuar, mas isso é normal, não se deixe abater, coloque em prática tudo que está aprendendo e persista.” Eu não sei se o meu psiquiatra é vidente, mas parecia que ele estava me preparando para esse momento que estou vivendo agora, acho que a experiência dele já o faz ver que quando um paciente está indo bem demais a vida vai tentar “fudê-lo” com o perdão da palavra escrota.

O post dessa quinta — e já peço antecipadamente perdão por não ter mandado nada na semana passada, é que com a crise das provas eu acabei meio perdida —, é um desabafo de alguém que não quer desistir, por mais difícil que possa ser isso. E eu estou penando para continuar, para vencer a raiva e a frustração desses dias, mas acho que isso já vale de alguma coisa, não apenas o fato de eu ter lembrado desse conselho tão sábio do meu médico, mas o fato de eu estar lutando contra mim mesma para colocá-lo em prática. Por isso, esse biscoito que a vida me deu, não interessa quantos pontapés ela me dê enquanto eu estou no chão, eu vou agarrá-lo com todas as forças que eu tiver e não vou permitir que ela o tire de mim, é a minha última chance, se eu desistir agora não vai me sobrar mais nada.



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