Portas da Percepção: Quando Você Crescer





 Engraçado. Engraçado mesmo. Por que só rindo mesmo. Quando eu tinha meus 7,8,9, até os 15 pra 16, eu tinha certeza quase absoluta do que eu queria fazer da vida. Não era um plano de vida, ou um sonho. Iria acontecer de verdade. Independente de qualquer coisa. De qualquer um. Eu conseguiria o que queria por que queria e teria e ponto. Eu seria o herói, o bedel, o juiz e campeão. O maior e melhor nisso e naquilo. Seria incrível. Cada dia seria uma aventura. Cada dia seria um episódio final de seriado, com um "Continua". Tudo seria emoção. E tudo porque eu sabia o que queria ser.
 Mas aí alguma coisa, ou alguém, aconteceu.
 E começaram a surgir as dúvidas, os questionamentos, aquela pontada de pavor na alma quando eu considerava que talvez, TALVEZ, eu não fosse conseguir. Que talvez todos aqueles anos de certeza e de fantasias nunca fossem se concretizar. 
 Isso foi completamente desesperador.
 Mas eu sobrevivi. Pra melhor ou pra pior.
 O tempo passou, as ideias mudaram e de repente, eu não sabia mais. E ainda não sei. E por muito tempo em minha cabeça o medo e a falta de motivação reinaram e eu não conseguia pensar em um motivo pra levantar. E eu tinha caído. E a queda foi feia.
 Mas então, aconteceu das mais improváveis mudanças. Eu comecei a me recordar das coisas e me lembrei de certas vezes em que já havia, há muito, pensado em como seria se eu não soubesse o que fazer. E me lembrei de que no fundo, bem lá no fundo, onde eu não me atrevia a olhar, pensava em toda a liberdade que devia ser não ter menor ideia do que iria fazer daí a dois segundos. E essa mesma sensação, aterradora e surreal, cresceu. Encheu minha cabeça e um belo dia, eu estava livre.
 Podia, e posso agora, e percebo que sempre pude fazer o quiser quando quiser e como quiser sem que isso se tornasse uma busca, um plano de vida.
 E percebi que a realização daquilo que eu julgava ser um destino extraordinário nem mesmo era o que eu mais queria.


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