O Poder das Palavras



Essa vai ser uma mensagem um pouco diferente das que eu costumo postar por aqui, que são sempre carregadas de um niilismo que está incrustado no meu interior e que, sutilmente, estou tentando mudar. Como autora, eu sempre procuro pensar no poder que as minhas palavras vão exercer no rumo da história que estou desenvolvendo, ou mesmo na personalidade do meu personagem, mas e na vida? Será que já paramos para pensar no poder que essas palavras tem para os outros e, ainda mais, para nós mesmos?
Muito recentemente eu tenho percebido o quanto as palavras podem influenciar na nossa vida, não apenas as que ouvimos, isso é senso comum, mas principalmente as que dizemos para nós mesmos. Eu tenho a mania de me colocar no predicado da minha vida, e não do sujeito. Quer um exemplo?
As pessoas me apavoram.
Quando digo algo assim, tiro de mim o direito de fazer algo a respeito, programo o meu cérebro para pensar que as pessoas me apavoram e que está nas mãos delas mudar isso, não nas minhas. A partir do momento que eu me acostumo com Eu me sinto apavorada com pessoasAí eu já tenho o poder de fazer algo sobre isso, porque sou eu que me apavoro, portanto eu posso fazer algo a respeito, a começar, descobrindo por quê. Essa coisa de dizer coisas para nós mesmos é algo que fazemos quase involuntariamente e nem nos damos conta, eu mesma nunca tinha parado para pensar no poder que me dizer algo tinha e agora estou apanhando muito para mudar esse jeito ruim de ver a vida e a mim mesma.
Pense um pouco... quantas vezes você se deixou levar pelas palavras de outra pessoa? “Ah, você não é pra isso!” ou “Desiste, vai procurar algo melhor.” Tendemos a pensar que as pessoas tentam nos derrubar e nos desestimular, mas somos nós que escolhemos sofrer, no fim de tudo. E é assim em noventa por cento das coisas na nossa vida, nenhuma pessoa no mundo tem o poder de nos ferir, não é algo biológico como quando a gente corta um dedo e mensagens são enviadas avisando “olha, ali tá doendo”. É uma escolha nossa ouvir o que as pessoas dizem ou fazem e o que fazer com isso. Claro, há momentos em que realmente o sofrimento não é “evitável”, nem estou dizendo que as pessoas sofrem, no geral, porque querem, determinadas patologias levam a isso, estou falando da minha experiência pessoal. Uma frase muito interessante que me foi dita:
Mapa não é território.
Quer dizer, a sua verdade não condiz com a realidade de fato. Eu sou apaixonada pela nona sinfonia de Beethowen. Para alguns é uma “música de sono”, para outras, “De enterro de rico”, e ainda há quem diga que é “Música de fresco”, outras, porém, acham uma composição genial. E eu me encaixo nesse último grupo, mas isso não quer dizer que as pessoas que não gostam estejam erradas, é o mapa delas, a limitação delas. Assim como eu gostar daquilo é o meu mapa. Cada pessoa tem uma visão das coisas baseada em sua própria experiência, no seu meio embora eu acredite que este não seja assim tão influente quanto se diz, pois nasci numa casa que se escuta moda de viola, com pais que gostam de brega, Roberto Carlos e Milionário e José Rico e mal sabem a difereça entre Good Morning e Bien Venuto. No entanto, eu amo idiomas — incluindo os inusitados, como Japonês — sou uma apaixonada por pop e música clássica, ópera, música asiática e basicamente NADA nacional, quanto mais regional. Então, no meu caso, o meio não influenciou em basicamente nada.
Tenho tentado aprender a formar conceitos diferentes quando falo comigo mesma, ou quando ouço as pessoas me dizerem algo. Diferenciar o mapa delas, do meu mapa e balancear em que situação aquilo realmente se aplica, porque, no fim das contas, a gente tem que viver a nossa vida do nosso jeito, com o que é melhor pra gente e, ainda mais, com o que a programação neurolinguística chama de ecológico, faz bem para mim e bem para quem me rodeia. Não no sentido “ambiental” da coisa, mas no sentido comportamental. Todas as pessoas falam algo com uma intenção positiva por trás, não que elas estejam certas sempre, mas quando passo a ver essa intenção positiva, quando paro de encarar tudo como reprimenda ou crítica e procuro uma intenção positiva naquela colocação, passo a me sentir menos mal comigo mesma, passo a perceber quão poderosa é a força do pensamento positivo. Ainda é uma batalha contra minha mente pessimista, ainda é um caminho longo até eu conseguir finalmente viver um dia sem lágrimas anônimas ou medo de tudo, mas outra coisa que eu estou aprendendo bem nesses últimos dias, é a nunca parar de tentar. Eu não acreditava muito nessas coisas, pensava que era apenas o meu jeito, como eu era, como eu pensava e ponto final, não tinha jeito. Pensamento positivo não é balela de consultório, as coisas que você anda dizendo para si mesmo repercutem muito no seu modo de agir, no seu modo de viver e principalmente na maneira que você se sente consigo mesmo e, consequentemente, com os outros.
Essa era a mensagem que eu queria deixar para vocês nessa quinta feira, não que tudo vá ficar colorido, ainda vai ter muitos momentos em que a vida vai ficar bem cinza e que a motivação vai parar em plutão, mas a partir do momento que você começar a tentar — como eu estou tentando fazer — as coisas vão começar a tomar outro rumo... você vai se enxergar de outra maneira e, desse modo, o mundo vai começar a ganhar outra aparência. Eu estou tentando sair do predicado na minha vida. E você? Vai começar a tentar?



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