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Eae, pessoas!

Bem, quero pedir licença hoje para vos contar uma história. Minha semana começou com uma TPM complicada, então acabei sem ideias pra nada. Só quero ficar na cama, comer chocolate e ver coisas deprimentes. Por isso, meu post da quinta feira vai ser um pequeno conto que escrevi há um tempo e, entre muitas das coisas que posto aqui, ele fala um pouco sobre um desejo bem peculiar que eu tenho e, ao mesmo tempo, revela uma verdade sobre mim. Espero que curtam!





Era tarde. A chuva torrencial caía sem parecer dar pausa, Anne olhava pela janela embasada pela água forte e tentava ver a rua, o céu negro, e ao mesmo tempo acinzentado, parecia frio e sombrio como se refletisse o que ela sentia por dentro, como se conseguisse ver o seu interior. E em um momento achara-se tola por pensar que seria diferente.
As pessoas continuavam morrendo, os sinais continuavam acontecendo, e mesmo assim ela permanecia igualmente mórbida, apática, insensível a qualquer realidade imposta. O corpo encolhido sobre a cama balançava-se para frente e para trás, o único som era o da água forte caindo no chão, o olhar parecia perdido no horizonte e por dentro ela estava perdida em si mesma.
Tudo dera errado. Seus sonhos, seus planos, sua vida. E não importava o que ela fizesse, as pessoas continuavam morrendo, continuavam indo embora, continuavam odiando-na. Um sorriso sádico despontou em seus lábios, ela se lembrava da sua risada histérica a algum tempo atrás, lembrava-se do surto que se apoderara de seus pensamentos, lembrava-se da única vez na sua vida que se sentiu livre.
Agora era só calmaria... Tudo estava quieto e a única violência existente vinha da força da chuva. Não havia mais pessoas morrendo. Não havia mais pessoas para odiá-la, não havia mais nada. Anne sentiu os olhos arderem, uma lágrima se formou na ponta de seu olhar, perdido pela janela, mas ela a ignorou. De que lhe adiantaria chorar? Nada. Ela mesma escolhera e fizera a própria sorte, se é que se podia chamar assim.
Diante dos seus olhos a chuva fazia nascer flores, as nuvens tinham sorrisos insanos, os raios olhares raivosos e o céu, olhos, que expressavam profunda dor. Apertando as mãos em volta dos braços, Anne fechou os olhos. Tentou se concentrar em seus pais, em sua irmã mais nova, em sua única amiga de verdade. Os rostos apareciam como fotografias em sua mente, mas seria aquilo também real? Não importava. Era a única coisa que lhe trazia conforto.
– Anne?
A voz suave e calma fez a garota virar o rosto, os olhos cheios de bolsas e o corpo encolhido encararam a intrusa de branco em seu quarto, segurava um copo pequeno e um frasco na outra mão. Anne não esboçou uma única palavra, apenas permitiu que a mulher se aproximasse e aceitou sem pestanejar o comprimido. Os cabelos longos da mulher estavam presos em um rabo de cavalo, o uniforme composto de uma calça e uma blusa de algodão eram tão irritantes quanto o quarto onde Anne agora estava, olhou novamente o nome bordado na blusa com letras vermelhas, ROBERTA. Não se lembrava de já tê-la visto. Não importava também.
Ela simplesmente saiu fechando a porta atrás de si. Anne caminhou até a cama e olhou novamente pela janela uma última vez, as grades de ferro impediam que as abrisse para ventilar melhor o quarto, mas tudo bem, estava se acostumando com tudo. A cela real que a prendia estava em sua mente, e dela era impossível sair... com vida.



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