Te Encontro, Desencontro








Eu o conheci no outono de 1998, me lembro porque nós falávamos de como as ruas ficavam bonitas com várias folhas e flores espalhadas e voando pela cidade.

Eu gostava de observá-lo de longe, ver as caras e bocas que ele fazia quando achava que ninguém estava olhando. Eu gostava de estar por perto pra quando ele precisasse ou até mesmo quando não precisasse. 
Ele era cheio de defeitos, tinha dia que eu queria nunca o ter conhecido. Mas esse momento passava e eu estava ali para agradá-lo.
Eu fazia isso porque ele me tratava bem, me dava atenção, ele era diferente de qualquer outro que eu já tinha conhecido. Dizem que quando encontramos a pessoa certa, nós simplesmente sabemos. Eu de algum modo sabia que ele seria especial para mim.
A verdade é que eu queria esquecê-lo, esquecer como ele gostava de brincar com meu nome, Elis... "Elis foram ao parque...". Isso me irritava de um jeito bom, e a verdade é que eu não consigo esquecer nada que esteja relacionado a ele.
Nós passamos apenas dois outonos juntos.
Ele se mudou para outro estado e perdemos contato; foi feita uma troca ele levou meu coração e deixou a saudade.
Eu passei dias e meses pensando aonde ele poderia estar, o que estaria fazendo, será que ele estava bem, se acostumado com seu novo lar?
Isso me atormentava até que chegou um tempo que esses dias, e meses se tornaram anos e eu me preocupava se ele havia encontrado outra... Confesso que pensar nisso me deixava triste todos os dias, e pensar que eu sentia que ele seria a pessoa especial da minha vida.
Porque ele nunca veio atrás de mim? Nunca tentou me contatar, nem se quer uma carta... 
Ele foi especial pra mim e eu não fui especial pra ele, todo aquele tempo que eu quis aprender um pouquinho sobre ele, que eu entreguei cada dia um pedacinho do meu coração, foi simplesmente em vão.
Passaram dez anos, eu me casei e tive um filho, mas eu nunca o esqueci e sinto que nunca irei esquecer.
Ano passado eu fiz uma viagem e descobri que era a mesma cidade que ele havia se mudado anos atrás. Meu coração voltou a bater como se eu ainda fosse uma jovem, era um desespero, uma ansiedade e uma esperança de revê-lo.
Por fim eu descobri qual era a casa dele.
De frente a sua casa eu senti borboletas no meu estômago, minhas mãos soarem, e o coração disparar, como todas as vezes que o vi. Tomei coragem e apertei sua campainha, eu disse que procurava por Marco, um rapaz jovem e bonito me atendeu e disse que era seu filho. Nós conversamos, mas seu filho havia dito que seu pai nunca havia me mencionado.
E eu todos esses anos me lembando dele.
A verdade é que eu queria apenas saber se ele se lembrava de mim também. Marco estava em outro país, esse era nossos desencontros. Antes de eu ir perguntei quem era a bela garota da foto, e o filho me respondeu:
-Essa é minha irmã, Elis...




1 comentários:

  1. E ela achando que ele a havia esquecido...
    Muito bom o texto!!! Parabéns Karen!

    ResponderExcluir

 

Curta

Siga