Quem Sou Eu?

by - quinta-feira, julho 02, 2015



Esse post vai ser um desabafo. Sim. 

Quando eu era criança costumava ficar embaixo da mesa por horas a fio ou abria o guarda-chuva dentro de casa porque diziam que quem fizesse isso não crescia. E, se havia algo que eu sabia com toda certeza que não queria, era crescer. Mas, que sabe uma criança sobre o que pode ou não pode acontecer, né? Cheguei uma vez a dizer a minha mãe que os adultos eram ruins e que crescer era mau, que eu queria ter cinco anos pra sempre. Oh, Peter Pan, porque você não veio me buscar?! Ingrato. Eu nunca imaginei quão sábia eu era por ter esse desejo, até o dia que eu completei doze anos. Foi nessa idade que os problemas eclodiram com força total. Até então eu não tinha ideia que havia algo errado, era tudo tão natural que eu mal me dava conta que estava definhando. 
Digo que os problemas eclodiram aos doze anos porque, além de ter sido a idade onde tudo começou a dar realmente errado, foi a idade onde começaram as cobranças. Se você nunca viveu sob pressão não tem ideia do que eu estou falando. Todo mundo supostamente sabe que o ser humano não é perfeito e que buscar a perfeição é uma perda de tempo e energia. Sim,supostamente. Porque a realidade é que na prática isso não acontece, eu fui criada para ser um modelo exemplar de Barbie, coisa que eu nunca (graças a Deus) consegui. Não só em questão do peso, mas em tudo que eu fazia. Sou daquele tipo que não é boa em nada e tem uma irmã que é boa em tudo. Por isso, sou cobrada constantemente sobre o que vou fazer da minha vida, o que quero fazer, o que sei fazer (nada), quem eu sou e quem vou ser... E agora que estou perto de terminar a faculdade está piorando consideravelmente, isso me frustra! 
Outra coisa que me tira do sério é a insistência constante em me fazer inteligente. Minha mãe acredita nisso tão piamente que as vezes me trata como se eu tivesse superdotação, do tipo capaz de construir um foguete ou achar a cura do Câncer. Quando eu tinha sete anos eu escrevi um livro. Aos doze eu já tinha sete livros. Aos vinte e quatro eu publiquei o primeiro. Vou completar vinte e cinco anos e na realidade parece que não fiz nada a minha vida toda.
Eu tenho medo de gente, não gosto de falar no celular, tenho mania de aprender música em idiomas difíceis tipo russo e Coreano, sou sempre a garota "do contra" que não gosta de nada do que todo mundo gosta, não consigo ir na padaria sozinha porque não consigo falar com o padeiro, sou incapaz de calcular qualquer tipo de troco mentalmente, não sei dividir (por número nenhum), sou absolutamente egoísta de carteirinha, não gosto de ser o centro das atenções em nada, fico nervosa quando tenho que conversar com alguém que eu não conheço, odeio multidões, não gosto de festas, choro com filmes, doramas, animes, novelas (quando eu assistia) e música, não vejo mais televisão ha três anos, não sei cuidar de mim mesma em hipótese alguma, não gosto de cozinhar (nem sei), sou incapaz de desenhar qualquer coisa (qualquer coisa MESMO), na maioria das vezes prefiro ficar sozinha. Não curto comemorar meu aniversário. Escrevo mais do que leio e sei que isso é errado. Sou extremista em tudo. Só tive amores platônicos a vida toda. Tenho fobia só de imaginar ficar grávida um dia. Não gosto de crianças. Sou viciada em doce de leite e brigadeiro. Poderia passar o dia todo dormindo ou dias sem dormir. Se pudesse nunca sairia do meu quarto. Em todas as salas de aula que frequentei a vida toda (incluindo a faculdade) eu só conseguia fazer dois amigos ou um e sempre fui odiada por todo o resto (o que equivale a noventa por cento da turma). Não sei lidar com elogios então prefiro não recebê-los e sim dá-los. Tenho fobia de sangue. Não gosto de facas. Sou incapaz de ver qualquer filme de terror. Nunca saio de casa sem um livro. Não sei fazer nada sem ouvir música (até as provas da faculdade). Choro por tudo e por nada. Enjoo depressa das coisas. Sou consumista. Já tive mania de roer as unhas. Não gosto de estudar, mas não tiro notas ruins. Aprendi Inglês sozinha. Estudo Japonês sem acreditar que vou aprender. 
Mesmo assim, quando as pessoas olham pra mim - e não me odeiam de cara - ou acham que eu sou perfeita, inteligente e metida, o que é mentira nos três casos, ou tentam me conhecer e criam uma imagem de mim que não tem nada a ver com quem eu sou e não tem ideia do quanto é frustrante e me faz mal quando agem assim. Acho que a única pessoa que me conhece de verdade é a minha irmã. Nem minha mãe sabe quem eu sou! Quando ela olha pra mim ela só vê tratamento psiquiátrico. Acho que, no fim das contas, apesar de saber tudo isso, a essa altura do jogo nem mesmo eu me conheço mais.
Ufa, desabafei.


Leia Também

0 comentários