O Embalo de Um Filme



A dança era calma. A música também. Sozinho ele dançava, assim como comia, dormia e até mesmo ia ao cinema. Suas pernas moviam-se lentamente, um passo de cada vez, para lá e para cá.
  Parecia encarar o teto, contudo, apenas estava de cabeça levantada e olhos fechados. Pela pupila passava o mesmo e velho filme: as lembranças de um amor. O filme já era tão clichê em sua vida que ele já não tinha grandes espasmos ao assisti-lo. A verdadeira dor se teve quando ele o viveu. Agora era só desfrutar, mas não era tão bom assim. Em meio aos sorrisos, que era o ápice de sua lembrança, também havia as mazelas. Foram elas que o levaram lá, naquela noite.
  A garrafa azul cintilava em sua mão com os constantes brilhos disparados. O calor era forte, mas dentro de si ardia algo muito maior. O frio externo era inerente. Da garrafa o doce cheiro atraia seus lábios, disfarçados no bom sabor estava o grande ator.
  O líquido ingerido o fazia viajar. O filme falhava e o calor abrandava num rápido farfalhar. Seus movimentos eram atingidos, os braços se erguiam em lentas sincronias.
  A fumaça o passou pelas narinas. A fumaça invadiu os seus pulmões preenchendo-o de maneira tão forte que parecia o estar rasgando por dentro. A mistura perfeita para uma total inlucidez fora pronta.
  Ele estava perdido, perdido no filme. Mas a sua leveza e lentidão ao dançar, refletia sua atual vida. A vida cautelosa que resolvera ter. Seus descontrole epifânicos eram de total destruição.

  A melodia que o embalava, a dança descompassada, a garrafa que levava aos lábios: aquilo o tranquilizava.



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