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Está chegando um dos dias do ano que eu menos gosto: meu aniversário. Algumas pessoas podem achar isso estranho, mas para mim completar ano parou de ser “legal” quando eu fiz 20 anos. Quer dizer, não tem nada para se comemorar quando você completa 20 anos em diante, a vida se resume em cobranças e mais cobranças e em responsabilidades que, na maioria das vezes, você não está pronto para assumir, ou como no meu caso, que ninguém te preparou pra assumir.
Alguém pode dizer: “Mas você precisa comemorar a dádiva de estar viva!” Viva... essa é uma palavra interessante. Será que no mundo de hoje existe alguém realmente vivendo? Se formos analisar em termos biológicos tudo que respira vive, ou quase isso, mas eu respiro, tenho um coração que bate e não vivo. Eusobrevivo aos dias do melhor jeito que posso. Completar 25 anos não vai mudar nada a minha vida, é só um status cronológico que indica que eu estou biologicamente quase na meia idade (porque eu estou me sentindo uma velha de 65).
Como presente de aniversário o que eu vou receber realmente é a obrigação de voltar para a terapia psiquiátrica, viver presa aos remédios que tiram a fome e me fazem dormir o dia todo (o que, por um lado, não é tão horrível). Mas eu fico me perguntando se realmente é necessário. Quando eu deixei a terapia a primeira vez eu tinha em mente que estava mentindo para mim mesma, eu passava dias sem chorar, é verdade, mas não queria dizer que não tinha nada doendo, queria dizer que meu cérebro estava sendo manipulado para ficar vinte e quatro horas ligado no “it’s ok”. Isso me chateava porque, por pior que fosse e por mais bizarro que possa parecer, eu me acostumei com a dor, prefiro ela a não sentir nada. Ela me faz sentir humana, um pouco normal... mesmo que seja do modo anormal, mas minha mãe acha que a situação tornou-se crítica e não tem mais jeito.
O lado bom é que eu vou poder passar esse dia em casa. Na semana seguinte já começa a faculdade e não há nada que eu queira mais que ficar o dia todo trancada no meu quarto esquecendo que o resto do mundo existe! E pior: que eu sou obrigada a fazer parte dele.
Essas ultimas semanas do mês vieram acompanhadas de apatia. Eu tenho ficado muito na minha (se é que é possível eu me isolar mais!) e não tô com vontade de fazer nada. Nem ler! (O que quer dizer: ALERTA VERMELHO! ALERTA VERMELHO! INCÊNDIO NO PRÉDIO PRINCIPAL, EVACUAR!) mas ainda não abandonei a música e o dorama então ainda não preciso de internação... ainda. Esses dias me deparei com uma música muito boa que fala sobre o bullying, não que os casos disso no Brasil sejam alarmantes no sentido físico como é em escolas do Japão e da Coréia, mas acho que no Brasil temos um bullying ainda pior que é o psicológico. Quando eu era mais nova todas as salas que eu tinha o azar de pegar tanto no fundamental quanto no médio (nos 2 médios) eu era brutalmente odiada. Não sei porque, afinal eu não falava com ninguém, não interagia (a menos que fosse obrigada), vivia presa nos meus  livros e nas minhas músicas sem interferir na vida de ninguém.
Mesmo assim o máximo que podiam fazer da minha vida um inferno, faziam. E eu já não tinha uma base psicológica muito boa só fui piorando. Hoje, com 25 anos eu fico um pouco mal por não ter encarado  eles... mas aí eu me lembro que eu não consigo encarar nem a minha própria vida, quanto mais o bullying que carinhosamente me dedicam (porque na faculdade não é diferente). Tomar remédios não vai fazer eu me sentir melhor, não vai fazer eu perder o medo de gente nem me tornar uma pessoa comunicativa. Eu só vou continuar mentindo pra mim mesma e dando as “respostas certas” pra todo mundo. Mesmo assim, vou odiar minha imagem no espelho tanto ou mais do que odeio agora.
Mas como estou viciada na música (já passei da marca de 12 mil ouvidas provavelmente) quero deixar aqui no post. Ah, o K-Pop <3 pensei que depois de MAMA do EXO nenhuma música conseguiria me fazer ficar tão apegada assim. Ainda bem que eu estava errada!




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