Lies

by - quinta-feira, junho 25, 2015





"You will never be strong enough
You will never be good enough
You were never conceived in love
you will not rise above"

Esse é um trecho da música Lies do Evanescence. Por alguma razão eu sempre me identifiquei com essa música... Mas isso não conta muito, afinal, eu me identifico com noventa e nove das músicas dessa banda. O primeiro verso fala uma verdade, Você nunca será forte o bastante, não importa o quanto tente, o quanto supere, você sempre vai cair. É uma verdade na minha vida pelo menos, a vida sempre vai ser mais forte que você e sempre vai te ferrar independente do quanto você ache que consegue superar. O segundo verso é uma verdade universal, Você nunca será bom o bastante, por isso que no meu último post eu disse que os relacionamentos estavam cercados por uma hipocrisia enorme no que dizia respeito à aparência e inteligencia. A nossa sociedade é hipócrita, ela dita padrões absurdos que a maioria das pessoas enlouquece para atender, mas sempre vai arrumar uma forma de te criticar e fazer com que você se sinta totalmente inadequado. Por essas e outras que eu gosto de ser sempre do contra. Nada do que você faz vai ser bom, certo ou bem feito, e as pessoas que vivem em função da aprovação de outras estão fadadas ao hospício. Esse terceiro verso acho que se aplica mais a mim, só que de uma maneira diferente... Você nunca foi concebido no amor... Bem, quando a minha mãe engravidou ela tinha vinte e três anos, nunca foi realmente casada com meu pai porque ele era divorciado, mas havia casado na igreja e nunca anulara o casamento. Isso me rendeu quatro irmãos dos quais 3 eu nem conheço, mas me odeiam, e uma doença psicológica. Isso porque, quando estava grávida, minha mãe não recebeu lá muito apoio da minha família, ela ainda estava estudando e tals, e eu vim meio que "atrapalhar" a vida dela, dessa forma ela ficou meio deprimida na minha gestação e o resultado, aliado a uma criação não muito correta, foi que eu desenvolvi depressão desde o dia que nasci. Sempre fui uma criança isolada, tímida, que não gostava de se expor ou se misturar com outras pessoas, independente de elas terme minha idade ou não. E não importava o quanto minha mãe me amasse, como ela ama, não importava que nada me faltasse ou que eu tivesse muita sorte comparada com a metade das pessoas que me cercava, o vazio dentro de mim nunca foi fechado. A minha irmã sempre foi melhor que eu em tudo, eu sou o lado da família que tem "defeito", que não gosta de ir nas festas da família, que prefere ficar ouvindo música e escrevendo no quarto, que não sai com as primas, que cada vez que decide fazer alguma coisa (como o recital do curso de canto, como o vestibular, ou mesmo uma viagem) é considerado um avanço científico. Uma pessoa que mais parece um animal selvagem, arisco e que não quer sair da toca. Então, de alguma forma, eu não fui concebida no amor. E, afinal, eu não poderia aceitar outra coisa, não é? Eu não acredito que amor exista. E, essa última frase, você não vai evoluir... quando eu escuto essa música imagino que ela esteja falando da humanidade, não só de si mesma. E, por mais que eu me veja nisso, como uma pessoa incapaz de evoluir, de estar condenada a ser exatamente o que eu sou agora, também penso na humanidade toda vez que me deparo com esse verso... Isso porque não importa quanto avanço tecnológico e biológico o homem faça, ele nunca vai evoluir de fato pelo simples fato de ser incapaz de ser o que deveria ser: homem. Diz na bíblia que Deus deu ao homem inteligência para diferenciá-lo dos outros animais, eu não consigo me lembrar com exatidão de quantas vezes na história essa inteligência foi realmente usada, mas não foram muitas eu presumo. Nós temos um histórico de destruição que nem mesmo um animal tido como "Irracional" cometeria no nosso lugar. O resultado? É o mundo em que vivemos hoje, prestes a ter um colapso, a desaparecer. É por esse motivo que as pessoas matam uma as outras por nada e por qualquer coisa, por isso que elas se julgam e se condenam, por isso que as sociedades são desiguais e somos torturados por pestes. Nós mesmo fazemos e fizemos isso a nós mesmos. Não usamos a inteligencia que, na prática, nos foi dada. Prefere-se atirar uma bomba num país e matar um monte de gente inocente só porque ela não é da mesma "etnia" que você ou porque um cara bundão que não teve comidinha na boca brigou com outro idiota que se acha dono da vida de todo mundo numa nação e são incapazes de sentar o traseiro num canto e falar como gente civilizada. Se fossem capazes disso, pra começar, nem existiriam bombas. Como uma raça que mata a si própria pode evoluir? Na escola, aprendemos que o homem "evoluiu" para o tal homo sapiens e que, além dele, surgiu o homo sapiens, sapiens. Eu acho uma grande lorota. Se o tal homem "soubesse que sabe" a gente não estaria como está hoje, com energúmenos invadindo igrejas para atirar em pessoas, com países em crise por causa de testes de explosivos capazes de destruir o planeta, com a camada de ozônio em situação crítica, com vírus novos e incuráveis matando gente, com "obrigação militar" porque os países precisam ser "defendidos uns dos outros" por que as pessoas pensam diferentes. Imagino como um mundo desse evolui! A raça humana só terá uma real evolução: a mesma que tiveram os dinossauros bilhões de anos antes.
Eu sempre fui ruim em mentir. E, a despeito do título do post ser "mentiras", eu tenho pensado muito na quantidade de mentiras que temos ouvido e temos contado a nós mesmos todos os dias... Eu nem consigo me revoltar mais, fico assistindo enquanto todo mundo se destrói porque, assim como eles, eu sou covarde demais para intervir e acabar ferida no processo... mas sabe de uma coisa? Eu tenho uma pequena esperança ainda: a de que eu vou morrer antes de ver tudo acabar. Sempre penso que as pessoas, como a minha irmã, foram criadas para viver e vencer na vida, para andar com as próprias pernas e, a seu modo, fazer a diferença. Mas eu não fui criada assim, não me ensinaram a andar com as minhas pernas, sempre tive uma mão me segurando, sempre tive braços me protegendo, sempre vivi atrás de uma barreira de proteção como uma boneca de porcelana, frágil demais para o mundo... ninguém nunca pensou que um dia eu ia estar sozinha, diante de uma realidade que eu evitei todo o tempo, tendo que enfrentar situações que me deixaram recusar nos testes, e não haveria mãos para me segurar nem braços para me proteger. É engraçado querer que você seja forte quando ninguém nunca te deixou lutar suas próprias lutas. Então, é o que eu posso fazer hoje, olhar o mundo com palavras... guardar essa revolta e essa tristeza dentro de mim, porque eu sou covarde, porque eu nunca conseguiria intervir. E nesse ponto, isso se aplica totalmente a mim: I will never rise above. 
Quando lançou seu primeiro álbum solo (fora o de Natal), My Winter Storm, a cantora finlandesa Tarja Turunen, de quem sou fã, escreveu uma faixa chamada Die Alive, é uma música muito intensa e, em entrevista, ela disse: "Ela não é sobre fantasia, ela é sobre como eu tento viver minha vida. Eu tenho visto muitas pessoas que, apesar de ainda estarem vivas, estão mortas por dentro." quando ouvi a música pela primeira vez, pensei comigo mesma que era exatamente aquela sensação que eu tinha em mim e à minha volta: morrendo viva. Se você sabe pelo menos o mínimo do que é isso, compreende que não existe sobre a terra uma dor pior do que ser expectador da sua própria vida por se sentir incapaz de assumir o papel principal. E com isso, finalizo o post com essa música.



Leia Também

0 comentários