Duas Semanas

by - domingo, junho 14, 2015








Duas semanas.
   Foi isso que eu me dei para escrever sobre o amor.
   Duas semanas.
   E eu sei tanto agora quanto no dia em que me propus a fazer isso.
   Perguntei para vários amigos o que significava amar alguém, o que significava estar tão absolutamente encantado por alguém, tão... apaixonado. Eles responderam bem demais. Souberam falar com exatidão do sentimento que vinha lá de dentro, do grito primordial que ecoava dentro deles, em sincronia com o do outro. O que me incomoda nessas respostas é o quão exatas elas foram. Nenhum deles se mostrou em dúvida, nenhum precisava do outro para confirmar aquilo. Parece que que cada um deles tinha o próprio grito.
   Depois, tentei olhar para mim mesmo e ver o que descobria. Já tinha tentado isso outras vezes e os resultados haviam sido promissores. Mas não dessa vez, creio. Seja nas noites insônias ou nos dias tediosos, sempre que eu tentava correlacionar eu mesmo com o amor, tinha uma ideia diferente da anterior. Algumas vezes prosa, outras poesia, ou os dois. Mas o problema não foi esse, não não não, foram as ideias de cada texto. Afinal, o amor é melancólico ou inspirador? Cruel ou misericordioso?
   Desculpe, menti quando disse que não havia descoberto nada sobre o amor. Acontece que não importa o quão apaixonado você esteja ou o quão alto você deseje gritar isso para o mundo, o quanto os lobos uivem dentro de você ou o quão tentado você se sinta a ensurdecer alguém, porque o amor, ah o amor...
   ... é silencioso.
   Não importa o quanto eu vasculhasse na minha memória, as únicas vezes em que senti amor, definindo o amor como a alegria de viver em si mesma, não havia som nenhum.
   Nenhum grito.
   Nem choro.
   Nenhum crepitar.
   Nem chuva.
   Quando me perguntei o que o amor era, descobri que não era nem melancolia, nem alegria, nem crueldade nem pena. Descobri a resposta mais óbvia de todas, aquela que se oculta na maioria das perguntas vãs: o amor é amor. Quem sabe o amor seja um sentimento próprio, ao invés de uma mistura aleatória da percepção humana?
   "E para quem você acha que está perguntando isso?"
   Você sabe muito bem quem. Não me interrompa, já é difícil o suficiente manter o foco sem você aqui para me distrair.
   De fato, acho que esse texto já se estendeu muito para algo que deveria ser simples. Termino deixando uma citação de Doctor Who:

   "Porque amor, amor não é sentimento...
     amor e uma promessa."



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