Poena Animae


E neste vazio tenebroso, em suspiros se perde minh’alma
Falecendo na exorbitante agonia de sufocados gritos.
Oh, como almejo o silêncio dos inocentes olhos
Que tão belos os meus enchiam com sua vibrante cor.
E não há no mundo beleza que se compare
Com o brilho férvido de teu olhar, tão doce,
 
E tão cheio de sonhos, trancado na fantasia de tua alma,
Imerso, no mundo que criastes para abrigar teu coração.
Desejo eu, secretamente, 
Poder um dia alcançar o calor de teu hálito
E na segurança de teus braços entregar meu corpo.
E agora me aflige este tomento, pois de ti me afastam os dias.
Trancaste-me em muros longe de teus olhos
E à dor lançaste minha alma, a padecer no escuro deserto.
Privaste-me do som doce de tua voz, que inveja causa
Ao mais belo canto do maior dos pássaros.
E como me custa viver uma vida enganada
Longe da magia que é ouvir teu pulsante coração
Jaz aqui o meu corpo, na cela do destino
Amaldiçoado pela vida que carrega meus dias desesperados.
Aceita meu coração ainda banhado em sangue
E deleita-te do rubro líquido.
Fere-me à espada de tua indiferença e açoita meu corpo
Com o chicote de tuas palavras frívolas.
Por que me feres, se só amor te dedico?
Reverberas sobre mim o brilho de teu ódio,
Quão feliz és ao saber que em um túmulo vazio
Sangra meu corpo envolto em desespero?
E se amar-te é meu pecado, devolve-me a inocência
Que roubada fora de meu coração tripudiado.
Não sou digna do coração de meu rei, e envolta
Em vergonha me lanças às chamas.
Zombas de minha ignorância, oh meu senhor...
Transpassa-me com a lança de tua injustiça,
Pois te amar é meu crime
 
E abraço a morte como castigo.
Agora sinto o rasgar do veneno consumindo-me,
Os nós do chicote dilacerando minha pele,
A lâmina gélida violando meu peito,
Calando para sempre o coração que a ti dediquei tão ingênua.
E quão cruel sois, oh meu senhor!
Quão fria é tua indiferença a assistir minha morte.
E me feres mais que a espada, afoga-me
 
No silêncio dos meus gritos.
Negaste-me o calor de teus braços,
Negaste-me o amor conhecer, e apenas o frio,
Apenas a dor, apenas a solidão, se tornaram
Minha suave mortalha.
Calam-se até mesmo os ventos.
Já não resplandece o sol majestoso em seu céu de glória.
O agitado mar, em calmaria se encontra,
E apenas o alquebrado olhar denuncia meu resfolegar.
Cessam as lágrimas, findam as dores.
Deixo-te meu amor, oh senhor do meu coração.
Rejeitada fora minha felicidade e finda agora
A vida vã à qual me condenastes.
Despeço-me Deus e te rogo perdão.
Indigna fui da benevolência que me concedestes.
O amor arrancara-me a razão completa,
E na insanidade padeci.
Aceita-me pois, no leito de tua casa,
E rogo-lhe benção ao senhor que na terra
Com meu coração ficara.
Esquecida serei, e secará o sangue...
Mas minhas palavras deixo também, 
E que no amarelar do papel,
Saibam todas as eras do mundo que as luzes do amor
Converteram-se em sombras e meu coração calaram, pela eternidade.



0 comentários:

Postar um comentário

 

Curta

Siga