Nosso Caso







Ele saiu batendo a porta, nem se quer olhou pra trás. Eu fiquei ali parada, naquela semana havia prometido pra mim mesmo que não iria chorar, eu respirei fundo e segurei, fiquei firme. Pensando pra onde ele poderia ter ido, o que estaria fazendo agora, também pensei em mil introduções para  dizer quando chegasse.

As horas foram passando e nenhuma lágrima eu deixei cair, eu estava sendo firme.
Mas chegou a hora em que tive que deitar minha cabeça no travesseiro, e olhei para o lado e seu lugar ainda estava vazio.

Não deixei escorrer nenhuma lágrima, mas confesso que por dentro eu chorei dias, eu só sabia chorar, meu corpo parecia ser feito de choro. Eu agora ensaiava despedidas, não queria mais que voltasse, tudo dentro de mim parecia ter morrido.

Foram noites com o seu lado vazio, toda noite antes de dormir eu bebia chá e comia biscoitos, e deixava o biscoito favorito dele sob o travesseiro, sei lá para caso ele chegasse de madrugada.
Certa noite eu adormeci e esqueci o chá e os biscoitos, durante a madrugada escutei um ruído, vesti uma blusa e fui até a sala.
O telefone tocava sem parar, a luz vermelha parecia que ia explodir.
Senti uma pontada no meu coração, um vento frio tomou conta do meu corpo, eu tremi antes de pega-lo.
- Finalmente. - uma voz disse do outro lado da linha.
-Oi. - Apenas sussurrei.
Por fim aquela foi a noite que quebrei minha promessa, encharquei meu rosto com lágrimas doloridas. E sai batendo a porta.
E eu o encontrei.
- Eu me perdi tentando me encontrar... Encontrar uma maneira de mostrar pra você que eu amo o teu som desafinado, teu jeito desajeitado, suas loucuras, suas brigas.
- Mas você foi por que quis.
- Fui porque eu sentia uma dor que médico algum pudesse curar uma dor difícil de ver ou sentir.

Ele havia me desmoronado me fez quebra minhas promessas me fez chorar na frente dele, sair no meio da madrugada, perde as esperanças dia após dia.
Mas por um momento eu parei e pensei que se eu tivesse opções e tivesse que escolher, eu o escolheria, mesmo com aquele jeito de garoto chato, com aquele ama e desama, um dia bate a porta e outro abre com flores na mão, com nossas brigas e pazes, com aquele jeito emburrado, e também apaixonado. Eu o escolho porque mesmo com os defeitos eu sempre fui sua preocupação, ele sempre me escolheu.

E todas as noites que eu chorei por dentro e disse pra mim mesmo que eu não queria que ele voltasse no fundo eu sempre o esperei.



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