Livraria




A livraria tem um cheiro bom, diferente. É colorida, todas as cores do mundo estão lá. Todas as palavras do mundo estão lá, tudo o que existe no mundo também está. Mas nem todas as pessoas do mundo estão lá. Eu estou para buscar o amor nos livros. Quando leio os títulos da estante, procurando algo, alguns livros estão com as letras voltadas para a direita, outros para a esquerda, enquanto procuro minha cabeça gira para um lado e para o outro a fim de ler todos os títulos, um a um. Este movimento chega até a simular um beijo, daqueles bem intensos, de corpo e alma. E é assim minha relação com os livros – de desejo. Eu os quero intensamente.
Passo de estante em estante provando cada um dos títulos mentalmente e promiscuamente. Tudo em busca daquele que levarei pra casa para chamar de “meu” para sempre.
Alguns livros eu pego e leio para conhecê-los melhor, saber seu conteúdo, sua história, suas opiniões, sua maneira de falar da vida. 
Alguns são até razoavelmente bons, mas não despertam minha real vontade de tê-los como meus.
Mas quando encontro um com que me identifico tenho sensações muito claras. É quando seu cheiro me faz fechar os olhos enquanto suas cores me fazem querer enxergar mais. Quando seu conteúdo me chama tanto a atenção que faz despertar minha curiosidade em saber toda a sua história, suas opiniões, sua maneira de falar da vida. É quando sei que ele não vai me decepcionar e estará para sempre comigo, enquanto nós dois durarmos, até que a morte (ou o tédio) nos separe.




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Minha mãe e a irmã do meu cunhado estavam conversando sobre como fazer sonho, o doce.
A irmã do meu cunhado disse: Não sei fazer sonho, é muito difícil.
E minha mãe: Sonho não é difícil, sonho é demorado.
Interpretei como eu quis.





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