Caretice Endêmica

by - quarta-feira, maio 13, 2015

(Imagem: Caras - Luiz Penna)

Muita gente vive esperando que algo aconteça, pensando que a vida não pode ser só isso, tem que ter alguma coisa a mais, tem que ter, não pode ser.
Mas infelizmente essa coisa a mais não existe, pelo menos não pré-programada, o seu sonhos não despenca no seu colo, o amor não lhe aparece dentro de casa, seus contas não se pagam sozinhas, nem a vida acontece do lado de dentro da muralha.
E onde eu costumo me pegar analisando é no gosto musical das pessoas, que é muito bom, pelo menos ao meu redor, mas é tão ultrapassado que chega assustar.
E é nessa muralha que nos fechamos para o mundo  “o funk não presta, sertanejo agora é universitário (porra ,nunca vi nenhuma universidade no sertão), Eletrônico não tem letra que se prese, rock morreu (alguém acenda um vela  pro defunto)”, só olhamos a superfície, e na superfície observo reflexo distorcido, pensando no quanto a pessoas podem ser fechadas ao ponto de não admirar um artista novo, seja ele um funkeiro, um rockeiro ou um poeta, tanta se diz sobre a nova geração, mas que geração é essa que tem recursos, que tem pautas a serem tratadas e ignoram tudo pra viver como nossos pais, Elis profetizou e vejo acontecendo todos os dias:

Nossos ídolos 

Ainda são os mesmos 

E as aparências 
Não enganam não 
Você diz que depois deles 
Não apareceu mais ninguém 
Você pode até dizer 
Que eu tô por fora 
Ou então 
Que eu tô inventando...
Mas é você 
Que ama o passado 
E que não vê 
Que o novo sempre vem...


E o engraçado é que vem mesmo, mas a própria geração autointitulada “intelectual” só faz admirar ídolos do passado, não que os mesmo não mereçam tal admiração, mas a vida continua e ídolos e inspirações precisam da mesma continuação, como teremos outro cartola, se ninguém ouve mais o tipo de samba que ele fazia, não, não vai aparecer outros tião carrero e zé pardinho enquanto aqueles que vem do interior se envergonhar da própria origem ,como pode haver outro Mário Quintana, outro Leminski se tudo que é poesia hoje é tratado como simples desabafo egocêntrico, e diz , qual foi a vez que você foi no sarau do bairro e se emocionou de verdade com uma poesia local sendo declamada?  Como poderemos ouvir outro sabotagem se ninguém vai abaixo do lodo midiático procurar rap no underground, como se pode querer ouvir um Duda do marapé se o tipo de funk que se consome hoje tem quase que uma obrigação de mercado de ser de ostentação e putaria.
Ídolos do passado fizeram oque fizeram pra influenciar as próximas gerações e construir cultura visionaria, não pra estagnar e manter tudo na mesma, o legado que é tanto cultuado sofre  com o desrespeito a mensagem que quis passar, mensagem essa que a vida continua e apesar de tudo a arte sobrevive e evolui, então pegue pelo menos esse tipo de exemplo.
Abrir os horizontes a novas fontes de inspiração é obrigação dessa geração que tem um desejo por arte e cultura, se fechar no seu quarto e ouvir legião urbana não vai trazer Renato russo de volta. 



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