Portas da Percepção: Vontade Boemia I

by - terça-feira, abril 21, 2015






Vontade Boemia I

Queria fumar um cigarro. Não, não fumo. Nem bebo. Nem vinho na natal eu tomo. Mas queria fumar um cigarro. E outro. E muitos. Por prazer, pra parecer estiloso, pra me enturmar, pra distrair, só por fumar. Síndrome de Keoruac. Invejo essa rapazeada que queima, queima, queima... Queria me sentar no fundão e socializar com quem é realmente interessante. Os bem ajustados que me perdoem, mas um barato é fundamental. Sim, queria fumar maconha. Pra ficar de boa. Um trago de manhã pra curar a ressaca e começar o dia. Umas cervas a tarde pra manter o pique. E muita cerva e algum êxtase ou LSD pra o dia valer a pena. E no outro variar a receita pra não cair na rotina. E sexo. Muito sexo. Sexo, drogas, rock and roll, porrada, abraços, poesia e café e Whisky . Disbunde total. Queria morar em um apartamento. Não, não gosto de gatos. Mas fantasio as vezes com uma madrugada chuvosa, um apartamento meio escura e uns cigarros. E claro neblina, muita neblina. E claro companhia agradável. Um cabeludos e uma minas de vestido no chão. Não, nem de casa eu saio direito. Eu fico em casa lendo quadrinhos. E tomando Coca-Cola. Queria ir pra calouradas e não me lembrar de nada. Ouvir muito Cazuza, muito Jimi, Jim e Janis e seguir meus instintos. Perder as convençõezinhas e perder a cabeça. Às vezes acho que isso tudo é piração minha, porque as vezes acho que nem de Coca-Cola eu gosto. Às vezes acho que o que eu queria mesmo era encher a cara. E pegar todo mundo. E claro que eu queria morar em Londres. Ou no Rio, baixo Leblon. E estar nos anos 80.



Leia Também

1 comentários