Portas da Percepção: Não




Não
  
Pobre de mim, que não sei dizer não. Não mesmo. Não eu. Não não. E não importa se é coisa do astral, se é de criação, se é coisa minha ou se não é nada. E não que eu seja bobo (talvez), não que eu pare pra conversar com todo mundo que oferece cartão de crédito ou sempre pegue aqueles saquinhos no ônibus sabendo que não vou comprar. Não é isso. Mas é que não digo não a mim mesmo. Não digo não à timidez, não digo não à ansiedade, não digo não à preguiça, não à euforia, não à imaginação fértil, não digo não as super expectativas que minha mente vai criando. Eu não sei dizer não à minha mente, essa que me prega umas peças e que joga com essa dificuldade o tempo todo. Devia aprender a dizer não quando aquela voz nos diz pra dizer não. Também não digo não ao medo. O problema é esse, por medo não digo não ao medo. Devia ter dito não. Devia me libertar. Não devia nada. Não. Ainda não.



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