Razão e Emoção

by - quarta-feira, agosto 13, 2014



Boa noite multicoloridos.
Eu sei, estive ausente os últimos dias. Por favor, sem pedras.
Minha ausência é por uma boa causa, eu juro. Estou em processo de revisão do meu livro e não quero que essa fase se perpetue até o infinito, então estou dando duro para terminar o mais rápido possível, o que me impossibilitou de escrever para o blog nos últimos dias.
Ontem a noite tirei um tempo para escrever vários posts, então prometo que não ficarei desaparecida por muito mais tempo. Até porque, no final do mês tem post novo da TAG Palavras.
Sobre o texto de hoje - eu gostei bastante do resultado. Claramente, não é muito diferente do que costumo escrever. Mas eu gostei do fato de ter pensado uma coisa completamente diferente quando comecei a escrever. Era para ser um desabafo, e acabou virando um mini-conto. Eu gostei de ter conseguido desvincular minhas experiências nesse sentido.
Enfim...



Música Tema:
Victims of Love - Good Charlotte




RAZÃO E EMOÇÃO
Luísa Lopes, 2014

Em uma guerra entre razão e emoção, só há destruição.

Eu disse que nunca mais amaria. Eu acreditei veemente nas minhas palavras racionais, decidida a não me impor nenhum outro sofrimento por pessoas indo embora. Eu me tranquei no meu castelo. Deixei o mundo manter sua rotina de ilusões e arrependimentos enquanto juntava o resto do que um dia fora meu coração.

Eu guardei meus sentimentos em uma redoma, não por serem mais importantes que os outros, mas porque não permitiria que eles se quebrassem mais uma vez. Eles não aguentariam mais um trinco sequer. Poupei-os de outros sonhos, de outras fantasias, conservando-os longe da realidade, dentro da minha fortaleza, na montanha mais alta que consegui encontrar, crente que ninguém, jamais, conseguiria alcançá-los.

Mas bastou desampará-los por um momento e lá estava ele a conquistá-los. Eu estava longe demais da minha fortificação, acreditando que ela seria o suficiente para barrar qualquer tentativa de tirá-los de sua proteção.

Sequer o vi quando se aproximou. Confiei cegamente na minha sensatez. Era ilógico imaginar que alguém cometeria a loucura de escalar as barreiras que eu construí – que alguém enfrentaria toda a nevasca que impus como obstáculo não apenas aos outros, mas também a mim.

Mas ele destruiu tudo. Ele demoliu todos os percalços que eu metodicamente escolhi e detalhadamente planejei. Ele localizou e extinguiu até mesmo aqueles que existiam apenas para impedir que eu cedesse à vontade de entrar mais uma vez na loucura que chamamos de amor.

Tentei reagir, tentei escapar, sem êxito. Desafiei-o diversas vezes, questionando-o o porquê de ter suportado todos os entraves impostos se não valia a pena. Não havia motivo para se desgastar daquela forma se qualquer coisa boa que aquilo traria logo esvaneceria como se jamais tivesse existido, deixando o pouco que restaria do coração em carne-viva. Ele ignorou meu discurso como se sequer o ouvisse – como se fossem apenas palavras ao vento.

Eu não desistiria. Eu me prometera que não me deixaria ferir mais uma vez – nem uma lasca sequer. Usei de todas as minhas forças para afastá-lo, joguei todas as pedras que alcancei – ele aturou cada um dos tormentos que o fiz passar, sem vacilar, sem hesitar. Não virou as costas nem quando desejei sua morte. Deixou-me sem armas, deixou-me sem reação.

Tão logo eu fiquei sem defesas, tão logo caí em seus braços.

Ele sorriu triunfante e então me mostrou todo o martírio que eu, por teimosia, impusera não apenas a ele, mas a mim também. Por um instante, pensei que ele quisesse me dar uma lição. Mostrar-me que fora exatamente minha fuga, minha tentativa desesperada de não amar, de não sofrer, que trouxera toda a dor.

Esperei que ele se virasse e fosse embora depois de toda a agonia que nos sucedeu pelo meu receio. Mas então ele juntou todos os resíduos do que fora um campo de batalha e me convidou a construir uma nova fortaleza.

Uma em que pudéssemos conviver em paz. 

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1 comentários

  1. Victims of Love, poxa, essa música me lembra de bons tempos.. *-*
    Gostei muito do texto, você escreve muito bem! Consegui me identificar em vários momentos... muito bom!

    Obrigada pelo carinho. Beijos :*
    Claris - Plasticodelic

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